segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sistema Imunológico: como aumentar as defesas do seu organismo



Esta época do ano que marca o início do outono, começam os ventos, o ar fica mais seco, as noites são frias e os dias quentes, ficamos muito vulneráveis às mudanças repentinas de temperatura e mais expostos aos ventos, sentimos um pouco mais de cansaço, a nossa pele fica mais seca, a nossa resistência cai um pouco. Então, o que podemos fazer para adquirir mais resistência e mais reforço imunológico?
Nosso corpo está em constante prontidão para se defender de ataques "inimigos" que tentam se aproveitar dos nossos descuidos.  O sistema imunológico de cada pessoa é uma espécie de barreira contra esses ataques.  Vamos ver os alimentos que podem fortalecer nossas defesas contra essas ameaças.
Desde o momento em que nascemos, estamos expostos a bactérias, vírus, fungos e outras substâncias estranhas que podem agredir nosso organismo.  Entretanto, para combater esses inimigos, nosso corpo está equipado, dispondo do que chamamos de sistema imunológico, ou seja, um "exército" de células específicas que estão sempre alerta e prontas para defendê-lo de agentes estranhos.  Contudo, esse sistema pode muitas vezes ficar fragilizado, debilitado e, quando isso acontece, nós nos tornamos suscetíveis a todos os agentes estranhos já citados, que tendem a provocar resfriados, gripes ou outras doenças mais sérias, como infecções ou outras doenças degenerativas.
Entre os fatores que podem acarretar prejuízos para o sistema imunológico destacamos o estresse físico, ambiental (por exemplo, a poluição e alterações bruscas de temperatura), emocional (por exemplo, a depressão) e a alimentação desequilibrada, que considera-se como sendo o mais importante.
Vamos entender como funciona o sistema imunológico:
A função do sistema consiste em reconhecer cada um dos tecidos, células e proteínas do organismo para distingui-las de uma ampla variedade de agentes patogênicos e substâncias estranhas.  Nesse processo, os linfócitos T, células pequenas que fazem parte dos glóbulos brancos sanguíneos (também conhecidos como leucócitos), têm grande importância.
Durante o desenvolvimento fetal, o sistema imunológico "aprende" a distinguir substâncias próprias do organismo e com isso mantém desativados os linfócitos T que reagiram diante delas.  Mas, quando um agente estranho, como por exemplo, uma bactéria, invade o nosso corpo, essas células são ativadas com o objetivo de defender nosso organismo dos possíveis prejuízos que a bactéria causará.  É por isso que os linfócitos são frequentes em  áreas de inflamação crônica, pois eles estão ali para exercer sua função imunológica; é por isso que em um exame de sangue a taxa alterada dessas células (leucócitos) pode indicar que algo vai mal com o nosso sistema imunológico.  Uma concentração anormal, maior que o valor de referência, pode indicar, por exemplo, infecção.
Alimentos que mantêm o sistema imunológico em dia:
Uma pessoa bem nutrida, que se alimenta de frutas, verduras, legumes e grãos, está muito melhor preparado para enfrentar gripes, infecções e outras doenças "oportunistas".  Um indivíduo mal nutrido, cujo cardápio é rico em alimentos gordurosos, processados e com excesso de açúcar, ficaria vulnerável a todos os riscos de adquirir doenças.
Sabemos que as vitaminas e minerais que potencializam as nossas defesas orgânicas estão presentes em grande quantidade nas frutas, grãos e hortaliças em geral.
As principais vitaminas e minerais que atuam no fortalecimento do nosso sistema imunológico são as vitaminas A, C, E, ácido fólico e os minerais zinco e selênio. Veremos quais as principais funções imunológicas de cada um desses nutrientes e em quais alimentos são mais encontrados.

Vitamina A - Essa vitamina desempenha um papel muito importante na manutenção da integridade das membranas mucosas; por isso, sua deficiência no nosso organismo provoca uma redução do número de linfócitos T circulantes aumentando, assim, a probabilidade de infecções bacterianas, virais ou parasitárias.
Os alimentos considerados ricos nessa vitamina são: cenoura, abóbora, fígado, batata doce, damasco seco, brócolis e melão.

Vitamina C - Essa vitamina antioxidante estimula a resistência às infecções por meio da atividade imunológica de leucócitos.  Ela aumenta a produção dessas células de defesa, que têm efeito direto sobre bactérias e vírus, elevando a resistência às infecções.
Acerola, frutas cítricas (limão, laranja, lima), kiwi, caju, goiaba, manga, tomates e vegetais folhosos crus são fontes excelentes; morangos, repolho, pimentão verde são também ótimas fontes.  Mas, atenção: a vitamina C é facilmente destruída pela luz e calor (volátil).  Um suco de laranja com acerolas, por exemplo, deve ser consumido imediatamente após o preparo para que não haja grande perda de vitamina C.

Vitamina E - Essa vitamina tem a capacidade de interagir com as vitaminas A e C com o mineral selênio, agindo como antioxidante.  Sua função primordial é proteger as membranas celulares contra substâncias tóxicas, radiação e os temerosos radicais livres que são liberados em qualquer reação química do organismo e podem causar sérios danos às estruturas das células, detonando o processo de envelhecimento e de desencadeamento de algumas formas de carcinogênese.
Alimentos ricos em vitamina E são o germe de trigo (fonte mais importante), óleos de soja, arroz, algodão, milho e girassol, amêndoas, nozes, castanha do pará, gema, vegetais folhosos e legumes.

Ácido Fólico - Essa vitamina é essencial para a formação dos leucócitos (glóbulos brancos) na medula óssea.  Alimentos ricos em ácido fólico são fígado, feijões e vegetais folhosos verde-escuros (brócolis, couve, espinafre).

Zinco - Esse mineral atua na reparação dos tecidos e na cicatrização de ferimentos.  Uma deficiência de zinco resulta em diversas doenças imunológicas; a deficiência grave causa linfopenia (grande diminuição do número de linfócitos).  Fontes alimentares importantes de zinco são as carnes, os peixes (incluindo ostras e crustáceos), as aves e o leite.  Cereais integrais, feijões e nozes também são boas fontes.

Selênio - Assim como a vitamina E, esse mineral possui grande capacidade antioxidante, ou seja, neutraliza a ação dos radicais livres (formados devido à ação dos raios solares, poluição, fumaça de cigarro, entre outros) no nosso corpo, retardando o processo de envelhecimento e evitando o desencadeamento de algumas formas de câncer.
Castanha do pará, frutos do mar, fígado, carne e aves são os alimentos mais ricos em selênio.

Alguns alimentos que apresentam propriedades benéficas para o sistema imunológico:

>Iogurte e leite fermentado, também conhecido como probióticos, possuem microrganismos vivos que recuperam a flora intestinal.
>Alho é um excelente agente antibacteriano, além de possuir substâncias que previnem o câncer gástrico e doenças cardiovasculares.
>Cogumelo Shiitake que possui lentinan, substância que aumenta a produção de células de defesa do organismo.
> Acerola é uma fruta riquíssima em vitamina C (30 a 50 vezes mais que a laranja).  Essa vitamina age na reconstrução dos leucócitos em períodos de queda de resistência.
> Gengibre é um excelente alimento que ajuda no fortalecimento do sistema imunológico.
> Peixes Marinhos (sardinha, salmão, atum, arenque, cavala, etc.), São ricos em ácidos graxos ômega 3.  Melhoram o sistema imunológico e também reduzem o risco de doenças cardiovasculares e inflamatórias.

Atenção sempre voltada à alimentação balanceada, rica em frutas, vegetais e grãos, proporciona ao nosso organismo nutrientes importantes para o bom funcionamento do sistema imunológico.  Sabendo que, pessoas que seguem uma alimentação desse tipo adquirem defesas próprias contra as mais variadas doenças, tornando-se mais fortes do que elas e isso, com certeza, propicia tempo e qualidade de vida maiores. Admire a natureza, contemple o seu dia, tenha uma atitude positiva diante da vida, reclame pouco, tenha amigos, divirta-se, caminhe pelas ruas, cumprimente as pessoas, admire a lua e as estrelas, enfim, seja feliz valorizando tudo que a vida lhe oferecer. Assim, somos capazes de vencer qualquer doença.  


Fonte: Alimentos Inteligentes - Dra. Jocelem Mastrodi Salgado
          Pesquisadora e Profa. Titular em Nutrição - Esalq - USP

domingo, 25 de março de 2012

Cogumelos são deliciosos e fazem bem à saúde


COGUMELOS COMESTIVEIS E MEDICINAIS




 



Civilizações tão antigas como as dos egípcios e a dos chineses já conheciam os benefícios dos cogumelos.  Nas últimas décadas, o consumo de algumas variedades desse fungo passou a ser associado a alterações da consciência.  Mas centenas de estudos vieram comprovar que a grande maioria dos tipos de cogumelo só traz benefícios à saúde.  Hoje os supermercados já oferecem dezenas de espécies, com ações e propriedades surpreendentes para todo o organismo.  
Chineses e egípcios antigos já conheciam os benefícios terapêuticos do cogumelo.  Dizia-se que essa planta, sem raiz nem clorofila, "afinava o sangue", reduzia infecções e até agia como afrodisíaco.  Nos últimos dez anos, várias pesquisas estão confirmando essas crenças e já se sabe que há pelo menos 30 variedades de cogumelos que teriam benefícios medicinais.  Entre eles, os mais conhecidos, pesquisados e cultivados entre nós, são o Shiitake e o Agaricus blazei.  Mas atenção: há espécies de cogumelos que são venenosas; outras alucinógenas, e outras de sabor muito ruim.  Portanto, nada de sair procurando cogumelos silvestres.  Hoje, você pode encontrá-los e comprá-los com segurança em feiras e supermercados.
Carnudos, fritos, bem temperados com azeite, acompanhando carnes, peixes ou massas, ou simplesmente como aperitivo, os cogumelos são de dar água na boca.  São iguarias de paladar delicado que enriquecem qualquer prato e merecem ser degustadas vagarosamente.
Os cogumelos são plantas primitivas, classificadas como fungos, que não podem obter energia por meio de fotossíntese e, portanto, extraem seus nutrientes do húmus (tecido parcialmente decomposto de formas vegetais mais complexas).  Utilizados como alimentos em todas as eras e culturas, os cogumelos apresentam elevado valor protéico (19 - 35%) e baixo teor de gorduras.  Contém ainda grandes quantidades de carboidratos e fibras, variando de 51 - 88%  e de 4 - 20% (peso seco), respectivamente, para as principais espécies cultivadas.  Além disso, o alimento contém quantidades significativas de vitaminas, principalmente a tiamina, riboflavina, ácido ascórbico, vitamina D2 e, também, minerais.
Além de merecer aplausos pelo seu sabor e valor nutricional, muitas pesquisas têm revelado que o alimento contém substâncias capazes de prevenir e de reduzir o risco de certas doenças.  Estudos mostram que certos cogumelos podem agir sobre o sistema imunológico tanto de indivíduos saudáveis como enfermos, trazendo benefícios potenciais para doenças como câncer, cardiovasculares, infecções e doenças auto-imunes, como a artrite reumatóide e o lúpus.  Por tudo isso, recentemente, os cogumelos têm se tornado atrativos na lista de alimentos funcionais*e como fonte para o desenvolvimento de medicamentos.  O cogumelo Agaricus blazei murill, por exemplo, tem sido tradicionalmente usado como fonte de alimento funcional no Brasil para a prevenção de câncer, diabetes, hiperlipidemias, arteriosclerose e hepatite crônica.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), alimentos funcionais são aqueles que produzem efeitos metabólicos ou fisiológicos através da atuação de um nutriente ou não nutriente no crescimento, desenvolvimento, manutenção e em outras funções normais do organismo humano.

De acordo com a ANVISA, o alimento ou ingrediente que alegar propriedades funcionais, além de atuar em funções nutricionais básicas, irá desencadear efeitos benéficos à saúde e deverá ser também seguro para o consumo sem supervisão médica.

Atualmente, a partir de tantas descobertas a cerca do cogumelo, o número de cultivadores cresceu muito, o preço ficou acessível e podemos encontrar uma boa variedade e com bons preços.
Os japoneses foram os que mais pesquisaram os cogumelos e são eles os maiores consumidores e defensores dos seus benefícios.  Estima-se que já existam mais de 30 tipos de cogumelos catalogados como tendo propriedades terapêuticas.  As espécies mais consumidas, pesquisadas e conhecidas entre nós são o Shiitake, o Agaricus blazei e o Reishi.

Shiitake                                                                                       Reishi.
                          




 




                                                                                                                        

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            
                                                                                                                                                                                                                



Conhecendo suas Propriedades Terapêuticas

Há uma extensa literatura falando dos benefícios desses fungos, especialmente o Shiitake, o Lentinus edodes e o Agaricus.
O Shiitake também conhecido no Ocidente simplesmente como champignon, termo que também é empregado para designar todos os cogumelos comestíveis.  Essa espécie é citada pelos pesquisadores como capaz de reduzir o colesterol, ao lado de uma lista de alimentos que inclui a cevada, o farelo de arroz, a alga marinha, o leite magro e os chá, tanto verde como o preto.
Essa mesma capacidade também é atribuída ao cogumelo preto asiático, conhecido como moer ou "ouvido da árvore".  Essa variedade tem uma grande capacidade de "afinar o sangue", afastando coágulos.  Entre os orientais, esse cogumelo é conhecido como "tônico da longevidade".  Dale Hammerschmith, hematologista da Escola de Medicina de Minnesota, diz que chegou a observar mudanças importantes nas plaquetas do sangue depois de comer um prato desse cogumelo preto.
Segundo pesquisadores, esse champignon contém vários componentes que "afinam o sangue", inclusive a adenosina, presente também no alho, cebola. O médico Hammerschmith acredita que o grande consumo, pelos chineses, de alho e cebola, cogumelo preto e gengibre explica, em parte, os baixos índices de doenças coronarianas entre eles.
Mas, voltando ao Shiitake, é um dos cogumelos mais consumidos entre nós.  Sua principal propriedade é uma substância descoberta e batizada de lentinan, um "modificador para melhorar a resposta biológica".  Alguns estudos têm demonstrado que essa substância aumenta a atividade imunológica contra o câncer. O lentinan é capaz de estimular o funcionamento dos macrófagos, o que aumenta a produção de interleucina -1, uma substância que combate os tumores.  É também capaz de ampliar nas células sua atividade citotóxica, cuja função é a de destruir as células cancerígenas.  O cogumelo Shiitake ainda tem a capacidade de estimular a proliferação de linfócitos T, células auxiliares especiais de proteção, aumentando também a produção de interleucina-2.
Pesquisas realizadas por cientistas da Universidade de Medicina Smmelweis, em Budapeste, Hungria, também comprovam ser o lentinan capaz de modificar as células, aumentando sua resistência à colonização ou à disseminação de células pulmonares cancerosas.  Partindo dessa informação, o Shiitake pode ajudar o sistema imunológico a combater e prevenir o câncer.  Por conta do lentinan, outros estudos mostraram que o Shiitake é capaz de combater o vírus da gripe melhor do que uma droga antiviral e antigripal.
Tanto na medicina tradicional chinesa, como nos resultados de alguns estudos, o Shiitake aparece como sendo o tônico da longevidade, remédio para o coração, para o câncer, para a pressão arterial e para a redução de plaquetas sanguíneas aderentes.  Na China, o lentinan é usado no tratamento da leucemia.
Alguns estudos mostram também que cogumelos em geral, principalmente aqueles da variedade Agaricus blazei, auxiliam no controle da pressão arterial, do colesterol e da arteriosclerose pela sua riqueza em fibras e gorduras não saturadas.  A espécie blazei também é rica em vitaminas B1 e B2, além de apresentar grandes quantidades de ergosterol que pode ser convertido em vitamina D2.
A procura por substâncias ou métodos que aumentem ou potencializem o sistema imunológico de forma a induzir uma resistência sem causar efeitos colaterais deletérios ao organismo tem sido uma das mais importantes buscas da ciência na cura contra o câncer e outras doenças debilitantes.  Diante dos efeitos benéficos proporcionados pelos cogumelos, especialmente as espécies Lentinus edodes (Shiitake) e Agaricus blazei, evidencia-se a importância de mais pesquisas experimentais e clínicas com esses  alimentos, a fim de elucidar de forma mais precisa o papel desses cogumelos como agentes preventivos e curativos.


Fonte: "Alimentos Inteligentes" - Saiba como obter mais saúde por meio da alimentação
             Dra. Jocelem Mastrodi Salgado
             Pesquisadora e Profª Titular em Nutrição - Esalq - USP












.

terça-feira, 6 de março de 2012

A Importância da SOJA na alimentação




A soja é um dos mais antigos produtos agrícolas que o homem conhece, e também quantos benefícios ela trouxe ao nosso País, em termos econômicos culturais e até populacionais.  Com o tempo e a evolução das economias regionais foram descobertos as inúmeras utilizações da soja.  Descobriu-se que a soja pode ser usada para a fabricação de tintas, vernizes, resinas, produtos farmacêuticos, essências, cosméticos e comestíveis.  Por ser um alimento completo, a soja, contribui perfeitamente com a redução dos índices de mortalidade por desnutrição.  Seu alto teor de ferro é ótimo para combater anemia, e, ainda, possui várias vantagens sobre a carne, tais como: não excita os centros nervosos e não aumenta a pressão sanguinea, além de ser utilizada em dietas restritivas e nos tratamentos que retardam o processo de envelhecimento.  Saiba que um quilo de soja possui a quantidade de proteínas suficiente para nutrir um adulto por uma semana.
Muitas pessoas não apreciam muito o sabor da soja, acham-na um pouco amarga.  Mas, aprendendo o modo correto de prepará-la e pensando nos benefícios que ela traz, certamente mudará seu ponto de vista.
De todas as substâncias necessárias ao desenvolvimento e manutenção do organismo humano - para as quais existem recomendações de ingestão diária - a soja contribui com proteínas e gorduras (energias); nove vitaminas essenciais e quatro minerais.
Uma tabela que estabeleça a recomendação de ingestão de nutrientes para homens e mulheres de 23 a 50 anos e de crianças de 7 a 10 anos, indicaria que a quantidade de 100 gramas de soja seria o suficiente para atender 75% das necessidades de proteínas para o homem, 95% para mulheres e 125% para crianças.
A mesma proporção de grãos, contribuiria com 100% das carências de tiamina (ou a Vitamina B1 que tem as seguintes funções no organismo: Importante para o bom funcionamento do sistema nervoso, dos músculos e do coraçãoAuxilia as células no metabolismo da glicose) para a mulher, 75% para o homem e 85% para criança.  Todavia, a importância da soja para a alimentação é mais do que isso, levando-se em conta a qualidade biológica das suas proteínas.
 As dietas ricas em fibras e com baixos teores de gorduras saturadas, aliadas a exercícios físicos e a um estilo de vida saudável, podem auxiliar no controle da obesidade e proteger contra doenças cardiovasculares, câncer, osteoporose e diabetes. A soja e seus derivados têm importante participação nesse quadro, pois são ricos em proteínas de alta qualidade, minerais (ferro, cálcio, fósforo, potássio...) e vitaminas do complexo B.
São inúmeras as pesquisas realizadas pela área médica no Japão, na China, nos Estados Unidos e na Europa que comprovam cientificamente os benefícios da soja na prevenção de doenças crônicas.


Veja como ela pode agir em nosso corpo:

  • Coração: a ingestão de proteína de soja reduz a taxa do mau colesterol (LDL). As gorduras predominantes no grão de soja são as poliinsaturadas e as monossaturadas, que não provocam obstrução de artérias.Os altos níveis de colesterol sanguíneo e do LDL-colesterol estão associados às doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio e arteriosclerose.Pesquisas da American Heart Association - AHA (Associação Americana do Coração) têm demonstrado que a ingestão de proteínas de soja reduzem as taxas de LDL-colesterol.
    Pacientes acompanhados durante quatro semanas por médicos da AHA e que tiveram a adição de proteínas da soja nas suas dietas - sem outra alteração - apresentaram uma redução nos níveis de LDL-colesterol em torno de 30%.
    Assim, a introdução de pequena quantidade de proteína de soja na dieta diária (cerca de 20g que equivalem a 50g de grãos) é suficiente para deixar o nosso sangue e coração em forma.
  • Mama e próstata: os fitoestrógenos, substâncias químicas presentes na soja e semelhantes ao hormônio feminino, reduzem o risco de câncer de mama e de próstata. Os grãos de soja contém um composto singular denominado genisteína, também chamado de fitoestrógeno ou hormônio vegetal, que possui uma ação estrogênica moderada, a qual atua na prevenção de cânceres relacionados com o estrogênio. Pesquisas realizadas no Japão, nos Estados Unidos e na Europa têm mostrado que a ingestão diária de alimentos à base de soja como, por exemplo, o tofu (queijo de soja), missô, natto e tempe (especialidades da cozinha oriental) reduzem os riscos de cânceres de mama e de próstata em 50%. A soja e seus derivados também possuem uma ação preventiva quanto aos cânceres de cólon, reto, estômago e pulmão. Para que os tumores aumentem de tamanho, é necessário o desenvolvimento de novos vasos sanguíneos. O bloqueio desse processo é visto como uma maneira potencialmente importante para controlar o câncer. A genisteína inibe a formação desses vasos e, conseqüentemente, o desenvolvimento dos tumores cancerígenos.
  • Ossos: os fitoestrógenos podem aliviar sintomas decorrentes da falta de hormônios na menopausa e retardar a osteoporose. Com o envelhecimento, a perda de cálcio aumenta numa taxa crescente, resultando na osteoporose. Na menopausa, esse processo se agrava com a deficiência hormonal ovariana. Devido à sua ação estrogênica, a genisteína da soja pode auxiliar a manter a estrutura óssea. Exames de densitometria óssea comprovam que o consumo de soja retarda a osteoporose decorrente da idade, como também reduz significativamente a perda óssea total.
  • Intestino e pâncreas: suas fibras ajudam no funcionamento do intestino e na redução dos níveis de glicose no sangue de diabéticos.
    O efeito anticarcinogênico da soja é atribuído aos inibidores da protease, porém as isoflavonas parecem ser os mais proeminentes anticarcinogênicos da soja. Os outros benefícios além dos correlacionados com a sua ação contra o câncer derivam principalmente da sua ação antioxidante, protegendo o organismo contra os danos celulares que levam ao envelhecimento. O teor de isoflavonas varia segundo a cor da soja, a parte morfológica da mesma (cotilédone, hipocotilédone e casca), a variedade (fatores genéticos) e as condições ambientais de cultivo (temperatura, umidade e solo).

    As fibras da soja exercem importante papel na regulação dos níveis de glicose no sangue, pois retardam a sua absorção. Essa redução na velocidade de absorção da glicose auxilia no controle da diabetes.
    Há evidências de que o consumo de soja tem um efeito positivo no controle de outras doenças como hipertensão, litíase (cálculos biliares) e doenças renais.


    Observação Importante: Mesmo diante dos benefícios apresentados, devemos sempre evitar o consumo excessivo da soja, pois há relatos de desconforto abdominal em alguns indivíduos, como estufamento, aumento da produção de gases e dores abdominais, entretanto esses sintomas são mais comuns quando os indivíduos apresentam um quadro de disbiose*. Entretanto, em alguns indivíduos não há necessidade nem de excesso do consumo, há indivíduos que possuem dificuldade em digerir a proteína da soja devido a uma reação de hipersensibilidade e por isto não devem ingerir a soja e seus derivados. Portanto, o nutricionista é o profissional capacitado a identificar este tipo de hipersensibilidade e estabelecer a melhor forma de consumo da soja e seus derivados como parte de uma alimentação nutricionalmente equilibrada.
    *disbiose é a designação dada ao desequilíbrio da flora intestinal, podendo ser considerada como um tipo de "alergia alimentar". 
    .
    Fonte: www.sojadobrasil.com.br
              www.sojamac.com.br/soja-benefícios
              www.cnpso.embrapa.br/producaosoja

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O que fazer para aproveitar melhor os alimentos


ttdesperdicio



O Brasil tem hoje mais obesos do que desnutridos.  A informação faz parte de uma pesquisa do IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.  A constatação, que pode parecer surpreendente, ainda não foi compreendida por muita gente.  O que a pesquisa revela, na verdade, é que há menos pessoas passando fome, mas certamente mais pessoas comendo mal.


A maioria das pessoas obesas encontradas nas pesquisas do BGE está entre aquelas que se alimentam de forma inadequada.  Resultado dessa constatação, é que as pessoas tendem a ser mais fracas, mais suscetíveis às doenças crônicas, desanimadas, irritadiças, com dificuldade para realizar atividades que dependam de esforço muscular ou cerebral.  Ao contrário de todo esse quadro, um indivíduo nutrido de forma consciente e adequada, adoece com menos frequência, pois o seu organismo está mais protegido e fortalecido.
Atualmente a população consome mais calorias vazias, mais carboidratos, como pães, e carnes mais gordas, que podem custar menos, dar maior sensação de saciedade, mas não nutrem e ainda implicam um excesso de caloria.  Carregam um corpo pesado, debilitado, e com todos os riscos aumentados para as doenças cardiovasculares.
Quando se trata de saúde e alimentação, a desinformação e a prática de maus hábitos alimentares chegam a pesar mais do que o baixo poder aquisitivo.  
O Brasil joga na lata do lixo bilhões de dólares.  Só na agricultura, cerca de 30% de tudo que é produzido não chega à mesa do consumidor.  Água, energia elétrica e gás, além de outros recursos, também são desperdiçados.  É preciso que mudemos a nossa mentalidade, desde o produtor até a dona de casa, evitando o desperdício de alimentos que ocorre na colheita, no transporte, na comercialização, no armazenamento inadequado e no seu preparo.  
Aprender a comprar, ou seja, fazer uma seleção desses alimentos na hora da compra, já é um primeiro passo para evitar o desperdício.  No caso de frutas, legumes e hortaliças prefira sempre os da época, que são mais frescos, escolhendo os mais firmes, sem partes envelhecidas, manchadas, rachadas ou murchas.  Quando adquirir vegetais, não deixe de aproveitar as folhas e talos, pois essas partes contêm grande valor nutritivo, além de serem uma opção para variar os cardápios diários, com refeições nutritivas e de baixo custo.  Por exemplo, quando comprar couve-flor, cenoura e outros como nabo, etc., peça ao vendedor que não retire as folhas.  Elas poderão ser utilizadas em seu cardápio.  As hortaliças devem ser guardadas em sacos plásticos, inteiras, na parte baixa da geladeira.  Compre somente quantidades que serão usadas em um prazo de 3 dias.  Frutas maduras também devem ser conservadas em geladeira.  Quando verdes, mantidas em temperatura ambiente até atingir o amadurecimento desejado.  Guarde-as sempre inteiras para evitar perdas do valor nutritivo.  No caso de suco de frutas ricos em vitamina C, o conselho é que esse suco seja preparado e consumido rapidamente para que não haja perda dessa vitamina por exposição à luz e ao calor.
O cuidado no preparo de frutas e hortaliças também é muito importante.  O ideal é cozinhá-las com casca, de preferência inteiras.  A casca serve como invólucro impedindo que as vitaminas e minerais saiam do alimento e se percam na água do cozimento.  A água em que foram cozidos, pode ser aproveitada no preparo de arroz, macarrão, sopa, etc..  Outro ponto importante é cozinhar os vegetais apenas o tempo suficiente para que fiquem macios, ou, em outra opção o vapor.

32 dicas para você aproveitar os alimentos:
1. Quando for usar de um abacate, deixe a outra metade com caroço.  Isso evita que estrague com rapidez.

2. Não jogue fora talos de agrião, pois eles contêm muitas vitaminas.  Limpe-os, pique-os e refogue-os com temperos como cebola e alho, ovos batidos, e se quiser colocar farinha de mandioca, resultará numa excelente e saborosa farofa.

3. Todas as folhas verde-escuro são ricas em ferro, por isso não deixe de aproveitá-las.

4. Os talos de couve, taioba, brócolis, etc., contêm fibras e devem ser aproveitados em refogados, no feijão na sopa, etc..

5. Sobras de bolacha não devem ir para o lixo.  Despedace-as e guarde-as em vidro fechado, para usar como cobertura de bolo, massa, tortas, etc..

6. O vinho azedo pode ser usado como vinagre.

7. Se sobrou purê de batatas, faça bolinhos ou use para fazer pão.

8. Folhas de nabo, rabanete e beterraba têm maior concentração de cálcio, fósforo e vitaminas A e C se comparadas à raiz, as quais estamos acostumados a comer.  Pique-as e sirva como salada, refogada ou em conserva.

9. As folhas de cenoura são riquíssimas em vitamina A e devem ser aproveitadas para fazer bolinhos, sopas ou picadinhos em saladas.  O mesmo se pode dizer das folhas duras do salsão.

10. Alho é sempre caro.  Evite perdas, transformando-o em pastas.

11. Rale as sobras de queijo e use em molhos e sopas.

12. O caldo das carnes cozidas, devem ser aproveitados como base para diversos molhos como: ao sugo, à bolonhesa, barbecue e outros. 

13. Se for cozinhar batatas para usar durante alguns dias, acrescente uma cebola à água do cozimento para que não escureçam
.
14. Adicione batatas cruas em sopas, ensopados ou molhos que tenham ficados salgados, pois as batatas absorvem o sal
.
15. A parte branca da melancia pode ser usada para fazer doce.  O preparo é igual ao do doce de mamão verde.

16. Para conservar a metade do limão que ainda não foi usada, coloque-a no pires com água, com a parte cortada para baixo, e leve-a à geladeira.

17. Sementes de abóbora, morangas viram aperitivo bem nutritivo se forem torradas e salpicadas com sal.

18. A uva que sobra na geladeira por mais de 3 dias, poderá ser usada como suco, aproveitando todas as suas partes, que bem coado é um aliado poderoso contra várias enfermidades por ser desintoxicante e diurético.

19. Para se tornar fresco o pão amanhecido, basta umedecê-lo levemente com água e levá-lo ao forno por alguns minutos.

20. Se o tomate estiver mole, deixe-o de molho em água fria ou gelada por uns 15 minutos e ele ficará mais rijo.

21. Para conservar a salsa fresca, lave-a, deixe secar, corte bem fininho e depois guarde-a em vidro coberta com óleo.

22. Para que o macarrão não grude, regue com um fio de óleo depois de escorrer.

23. Sempre que possível, evite bater os alimentos no liquidificador: use peneira ou amasse-os.

24. Restos de verdura podem ser ótimos suflês.

25. Pão velho torrado no forno serve como farinha de rosca.  Se amolecido, para almôndegas, para dar
"liga" em bolinhos, engrossar recheios de tortas e muito mais...

26. Arroz amanhecido poderá ser usado como farofa, acrescentando cenoura ralada, cheiro verde, temperos da preferência e farinha de mandioca torrada.

27. Fermento fresco não perde sua força se for congelado.  Para isso, mantenha em um recipiente com tampa.

28. Sobras de carnes e aves assadas devem ser desfiadas e usadas para ensopados ou virados.  Se moídas, podem sair ótimos croquetes, pastéis, recheio para tortas ou omelete, saladas, etc..

29. Sobras de peixe ensopado servem para cuscuz, sobras de filés de peixe frito servem para bolinhos ou maionese.

30. Sobras de arroz também podem dar ótimos bolinhos, canjas, risotos ou mexidos com ovos e sopas.

31. Sobras de feijão servem para fazer tutu, tropeiro (se coado), sopa, etc..

32. O leite talhado pode ser aproveitado com açúcar para fazer bolos.

Essas dicas que você observou, valem para alimentos que permaneceram bem conservados e refrigerados.  Sabendo que são produtos já manipulados, deveremos sempre verificar o aspecto visual, assim como o aroma e o sabor. NUNCA deveremos aproveitar alimentos com: Bolor, manchas escurecidas, odor não característico, aparência modificada, etc.  Lembrando sempre que estamos lidando com a nossa saúde, e a geladeira não conserva alimentos prontos por mais de 3 dias, portanto fique atenta com as sobras e os desperdícios.

Fonte: Alimentos Inteligentes - Drª Jocelem Mastrodi Salgado - Pesquisadora e Professora Titular em Nutrição - Esalq - USP