quarta-feira, 20 de junho de 2012

Aditivos Alimentares: segurança ou perigo?







Minúsculas quantidades de produtos químicos são acrescentadas às coisas que comemos por questões de segurança ou para melhorar a aparência ou prolongar a validade dos alimentos de conserva.  Mas, atualmente, esses produtos químicos são motivo de preocupação.  No mundo ocidental, 75% a 80% dos alimentos consumidos pelas pessoas foram sujeitos a processamentos.  Hoje, ingerem-se dez vezes mais aditivos alimentares do que há 30 anos,  Os consumidores devem saber o que são esses produtos, o que fazem, se são inócuos ou se devem ser evitados.
A definição internacionalmente aceita para "aditivo alimentar" é a seguinte: "Toda substância, tenha ou não valor nutritivo, que por si mesma não é normalmente gênero alimentício nem ingrediente característico de um gênero alimentício, mas cuja adição intencional, com finalidade tecnológica ou organoléptica, em qualquer fase de obtenção, tratamento, acondicionamento, transporte ou armazenagem de um gênero alimentício, tem como consequência quer a sua incorporação nesse gênero - ou a presença de um derivado seu -, quer a modificação de características desse gênero alimentício.
Os aditivos alimentares não são compostos químicos que possam ser escolhidos arbitrariamente para uso indiscriminado e descontrolado nos gêneros alimentícios.  Existem critérios, condições e também razões ou justificativas para seu uso.  As indústrias utilizadoras e as entidades estatais diretamente responsáveis por essa matéria devem nortear sua ação por critérios rigorosos, consolidados nas respectivas legislações em vigor.
O emprego de aditivos alimentares só se justifica desde que não constitua qualquer perigo para a saúde do consumidor e quando não se podem atingir, por meios práticos e economicamente viáveis, um ou vários dos objetivos a seguir:
> conservar as qualidades nutritivas dos alimentos;
> fornecer ingredientes ou constituintes necessários aos produtos alimentares destinados a fins especiais (alimentos dietéticos);
> aumentar a conservação ou a estabilidade dos alimentos do ponto de vista higiênico;
> auxiliar ou melhorar o fabrico, a transformação, a preparação, a embalagem, o transporte ou a armazenagem dos alimentos, desde que a utilização dos aditivos não se destine a disfarçar a incorporação de matérias primas defeituosas ou práticas indesejáveis, sobretudo aquelas que possam contrariar a higiene.

Categorias de aditivos alimentares
Os aditivos alimentares são muitas vezes classificados em três grandes grupos:
> aditivos com ação conservante, destinados a manter "frescura" dos gêneros alimentícios;
> aditivos sensoriais, que modificam ou realçam as características organolépticas;
> aditivos que facilitam certas operações industriais de processamento e fabrico.

Um bem ou um mal?
Apenas algumas pessoas têm reações desagradáveis aos aditivos alimentares.  Para essas poucas, descobrir e aprender a evitar os ingredientes a que são alérgicas pode significar um grande alívio para os alarmantes ataques de asma ou o aflitivo prurido (coceira) de uma erupção cutânea.  Esses são os piores efeitos dos aditivos, pelo menos a curto prazo.  Outros efeitos nocivos podem ser febre, visão enevoada, rinite alérgica, perturbações do estômago, náuseas, tonturas, dores de cabeça e palpitações.  As pessoas que sofrem desses males têm deficiências no metabolismo.  Portanto, pelo sim ou pelo não, quanto mais pudermos evitar alimentos super processados, melhor resultado terá a nossa boa alimentação.
Segue uma tabela em que determinados aditivos prejudicam a saúde devido ao uso indiscriminado de alimentos processados:



ADITIVO
Problema causado
FosfolipídeosColesterol e arteriosclerose
AromatizantesAlergias, crescimento retardado e câncer
SacarinaCâncer
Nitritos e nitratosCâncer no estômago e esôfago 
Acido benzóico, polissorbados e umectantesAlergias e disturbios gastrointestinais
Ácido fosfóricoCálculo na bexiga
Dioxido de enxofreRedução do nível de vitamina B 1 e mutações genéticas
CorantesAnemia, alergias e toxicidade sobre fetos, podendo nascer crianças com malformações
Ácido acético Cirrose hepática, descalcificação de ossos
BHT e BHATóxicos aos rins e fígado, e interfere na reprodução
EDTAAnemia e descalcificação
CarameloConvulsões quando preparado em desacordo

Se você se preocupa com os aditivos por causa das divergências sobre os perigos ou possíveis efeitos cumulativos a longo prazo, adapte seus hábitos alimentares de forma a evitá-los.  Coma mais alimentos frescos e evite os alimentos processados, para reduzir a absorção de aditivos.  Lembre-se de que os alimentos sem conservantes são mais susceptíveis de contaminação bacteriana.  São necessários cuidados adicionais para guardar e cozinhar esses alimentos, para se evitar a intoxicação alimentar.
As listas de ingredientes dos rótulos dos alimentos processados constituem um importante meio de evitarmos os aditivos.  Anote os números de código e os nomes das substâncias que pretende evitar e leve as anotações quando for às compras.  Será preciso algum tempo para organizar a sua própria lista de produtos aceitáveis.  Mas, o importante é conhecer bem a respeito de si e dos produtos que consome normalmente, no que diz respeito aos aditivos.
Esse tema é bem vasto e quanto mais informações obtivermos, através da ANVISA ou outros órgãos internacionais reguladores, como o Codex Alimentarius da FAO e da OMS sobre legislação e uso dos aditivos no processamento de alimentos, muito ganharemos em saúde e longevidade.


Fonte: Dicionário de Medicina Natural - Readers Digest


terça-feira, 12 de junho de 2012

Rotulagem e Dietas



Ler rótulos de alimentos pode ser mais eficaz para perder peso do que fazer exercícios.  Pelo menos é o que diz uma pesquisa da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
O estudo avaliou 12 mil americanos nascidos entre 1957 e 1964.  Entre os participantes, 25% praticavam atividade física e 50% tinham o hábito de ler rótulos.
O resultado é que os que liam as embalagens emagreceram mais do que aqueles que faziam atividade física, mas não estavam atentos às informações sobre alimentos. (Cabe aqui uma explicação: pessoas que faziam atividades físicas com a finalidade apenas de perder peso).
Mulheres de 37 a 50 anos foram as que tiveram os melhores resultados.  O trabalho foi publicado na edição de setembro de 2011 do "The Journal Of Consumers Affairs".
Segundo especialistas, a "dieta do rótulo" funciona mesmo.  "Saber o que estamos comendo faz a diferença.  Pessoas bem informadas comem melhor", diz o médico nutrólogo Fabio Ancona Lopez, professor da Unifesp.
O rótulo só vai fazer a diferença, porém, se a pessoa souber interpretá-lo.
O que não é nada simples, de acordo com a endocrinologista Rosana Radominski membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).
"Embalagens não são autoexplicativas.  É preciso saber o que cada nutriente quer dizer e, às vezes, fazer alguns cálculos."
Sabendo interpretar, dá para comparar produtos parecidos e escolher aquele que contém os melhores valores nutricionais.
"Entre um biscoito recheado e outro, podemos optar pelo que tem mais fibras e menos gordura saturada, por exemplo", diz a nutricionista Sílvia Martinez, especialista em rotulagem de alimentos.

Além das Calorias
Qual a primeira coisa que reparamos no rótulo? As calorias, claro.  Para Martinez há outras informações tão ou mais importantes.
Uma delas é denominação de venda - a descrição fiel do que é o produto, que fica no pé da embalagem.  Assim, você compra hambúrger, sem ler que trata-se de carne bovina misturada a carne suína.  "Reparamos só no nome comercial, compramos uma coisa por outra."
Depois disso, a nutricionista Alexandra Tavares de Melo, uma das responsáveis pela atualização do Banco de Dados da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, recomenda olhar a quantidade de fibras e de sódio.
"Nosso consumo de fibras é baixo e o de sódio é muito alto, principalmente se a pessoa ingerir muitos alimentos industrializados."
Outro ponto importante é a quantidade de gorduras totais e trans.  Muitos alimentos diet, sem açúcar, têm mais gordura.  Por outro lado, os light, com baixo teor de gordura, às vezes exageram na quantidade de açúcares e carboidratos.
De acordo com a nutricionista Mônica Beyruti, da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), não reparar no teor de gordura pode fazer com que a pessoa caia em armadilhas.
"O requeijão light tem mais gordura do que a maionese light, rica em gorduras poli-insaturadas, que são mais saudáveis."

Qual é a porção?
Para todos os cálculos, é essencial considerar o fracionamento que o fabricante estabeleceu para elaborar a tabela.
"Essa informação é a que mais confunde.  A porção é diferente para cada alimento e é preciso fazer contas para comparar um com outro."  Afirma Lopez.

Dieta de Papel
Entenda os termos que aparecem nos rótulos

Fonte: Anvisa - http://www.anvisa.gov.br/alimentos/rotulos/guia_bolso.pdf



Valor Energético: Quantifica, em calorias, quanto de energia o alimento oferece.

Carboidratos: É a soma de amidos e açúcares.  O ideal é que as quantidades sejam discriminadas, mas na maioria dos rótulos não há uma divisão.
Proteína: Fonte de energia e função construtora.
Gorduras Totais: É o total de gorduras entre poli-insaturadas, saturadas e trans.  Para saber a quantidade de gordura poli-insaturada, é preciso subtrair a gordura saturada e a trans.
Gorduras saturadas e trans:  Quanto menos tiver, melhor.  Atenção aos produtos diet, que têm menos açúcar, mas costumam ter mais gordura.
Fibra Alimentar:  Atua na regulação do funcionamento intestinal.  Associada à diminuição do risco de diabetes tipo 2.
Sódio: O consumo em excesso está associado com o aumento do risco de hipertensão, problemas cardíacos e renais.  Não existe apenas em produtos salgados.

Quanto se pode comer por dia


Gorduras trans e saturadas          Fibra Alimentar                    Sódio                       Idade                                                    
Nada ou mínimo possível           19 a 25 gramas                 1 a 1,2 gramas         Crianças de 1 a 8 anos
Proteínas                                    31 a 38 gramas               1,2 a 1,5 gramas         Homens Adultos
0,8 gramas por quilo de peso      21 a 26 gramas               1,2 a 1,5 gramas        Mulheres Adultas 

Em 2003 foi publicada a Resolução - RDC 360 estabelecendo que todos os rótulos de alimentos deveriam apresentar uma tabela com a composição nutricional e a contribuição de cada nutriente, com base numa porção individual de referência para a dieta do consumidor. 
A medida foi parte das ações propostas pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de orientar a população a consumir produtos que proporcionem uma alimentação saudável, considerando que a rotulagem nutricional facilita ao consumidor conhecer as propriedades nutricionais dos alimentos, contribuindo para um consumo adequado dos mesmos.
De lá para cá, os rótulos de todos os produtos passaram a apresentar uma tabela nutricional onde são declarados os seguintes nutrientes: valor energético, carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio. Os valores são apresentados por porção recomendada do produto para que seja mais fácil para o consumidor avaliar o quanto está ingerindo de cada nutriente e também para que comparações entre produtos possam ser feitas.
A medida foi considerada uma grande conquista do consumidor, já que até então poucos eram os produtos que mencionavam em seus rótulos informações nutricionais básicas, muito importantes para quem preza boa alimentação e saúde. Além do direito à informação, o propósito dessa medida do Ministério da Saúde foi incentivar a sociedade a discutir mais o tema alimentação saudável e, com isso, diminuir os números assustadores de doenças relacionadas aos maus hábitos alimentares como é o caso da obesidade, doenças cardiovasculares, certos tipos de câncer, entre outras.


Aprendendo a analisar um rótulo

O consumidor deve ficar atento para essas medidas já aprovadas e para algumas informações que às vezes passam despercebidas, mas que são muito importantes.
Por exemplo, você sabia que os ingredientes contidos no alimento ou bebida devem ser listados em ordem decrescente de acordo com a quantidade?
Observando a lista de ingredientes contida no rótulo dá para saber qual deles predomina no alimento, já que o primeiro da lista é o que está em maior quantidade.
Outra pergunta, você sabe definir termos como valor energético, gorduras trans, saturada, VD (valor diário de referência) entre outros, presentes nos rótulos de alimentos e bebidas?
O que nós queremos chamar atenção com este artigo é o papel que a indústria e o consumidor desempenham em toda essa questão complexa e delicada que é a rotulagem de alimentos. O papel da indústria é mais amplo, cabendo a ela assegurar nos rótulos informações corretas, claras, precisas, idôneas e em língua portuguesa sobre as características, qualidades, quantidades, composição, garantia do prazo de validade e origem do alimento ou bebida em questão.
Por outro lado, ao consumidor cabe a responsabilidade de buscar informações no sentido de interpretar corretamente esses rótulos e com isso não ficar totalmente ignorante ao que está ingerindo no seu dia-a-dia. O consumidor bem informado é aquele que está atento, não se deixa enganar e sabe, com certeza, escolher o melhor para ele quando o assunto é saúde.
 
Data de validade 

Deve estar legível e deve constar pelo menos o mês e o ano para aqueles produtos que tenham duração mínima superior a três meses. É importante lembrar que nos rótulos de alimentos que exijam condições especiais para sua conservação, deve ser incluída uma legenda indicando as precauções necessárias para manter suas características normais, devendo ser indicadas as temperaturas máxima e mínima para a conservação do alimento (antes e após aberto). O consumidor deve também ter cuidado com alimentos em promoção; geralmente são produtos com validade próxima ao vencimento ou com embalagens em condições impróprias para o consumo.

Lista de ingredientes 

Como já dissemos, todos os ingredientes devem constar em ordem decrescente, da respectiva proporção. Essa informação é muito importante para que o consumidor avalie exatamente o que está ingerindo em maior quantidade. É comum observar em certos rótulos a presença da sacarose (açúcar) e de certos óleos e gorduras como os primeiros ingredientes da lista, em alimentos onde imaginávamos uma pequena quantidade dos mesmos. Fique atento!
Outro ponto importante é saber observar na lista de ingredientes a presença de aditivos químicos, nem sempre saudáveis. Esses aditivos alimentares são declarados depois dos ingredientes e cada um apresenta uma função específica no alimento ou bebida. Veja a seguir alguns dos possíveis aditivos que podem estar presentes na composição do produto: agentes de massa, espumante e antiespumante, umectante e antiumectante, antioxidante, corante, conservante, edulcorante, espessante, geleificante, estabilizante, aromatizante, regulador de acidez, acidulante, emulsionante/emulsificante, melhorador de farinha, realçador de sabor, fermento químico, glaceante, agente de firmeza, sequestrante e estabilizante de cor.
Toda essa infinidade de aditivos muitas vezes está descrita nos rótulos sob a forma de código e/ou letras microscópicas, quase imperceptíveis a olho nu. Observe, por exemplo, a lateral enrugada da tampinha de certos refrigerantes e sucos de frutas; elas apresentam códigos que nada mais são aditivos químicos que o fabricante achou conveniente disfarçá-los. Além da dificuldade de enxergar, são completamente ininteligíveis, mesmo para técnicos em alimentação, quanto mais para a população desinformada. Esse tipo de prática consolida e agrava a ignorância pública sobre alimentação e nutrição.
Alguns fabricantes de alimentos e bebidas abusam de tal forma dos aditivos que acabam conseguindo transformar seus produtos em puras misturas químicas. Muitas vezes eles utilizam nos rótulos termos tais como "100% natural", "possui 2% de polpa de fruta natural", entre outros, confundindo o consumidor que acaba acreditando que o produto é natural, quando na realidade não passa de uma mistura artificial, rica em açúcar e aditivos químicos. É o caso, por exemplo, de certas misturas para sucos que utilizam aromatizantes e corantes artificiais, acidulantes, entre outros em sua composição.
Essas substâncias em excesso podem causar sérios prejuízos à saúde, além de simples reações alérgicas. Por isso, todo cuidado é pouco. Procure dar preferência a alimentos mais naturais, sem a presença desses aditivos.

Entenda o VD 

VD significa Valor Diário, ou seja, é o número em percentual que indica o quanto um alimento possui de energia e nutrientes em relação a uma dieta de 2.000 kcal. Para cada nutriente temos um valor diário diferente, que indica a quantidade do nutriente que a população deve consumir para ter uma alimentação saudável. As bases para a declaração de nutrientes são os valores recomendados para adultos, considerando-se um consumo diário de energia de 2.000 kcal. Dessa forma, por exemplo, um pão integral que possui 100 calorias por porção (2 fatias) proporcionará 5% do VD, o que quer dizer que em uma dieta de 2000kcal, as duas fatias de pão representam 5% desse valor.

O que é valor energético. kcal, kj? 

O valor energético ou valor calórico é a quantidade de energia fornecida pelo alimento proveniente dos carboidratos, proteínas e gorduras totais. Na rotulagem nutricional o valor energético é expresso em forma de quilocalorias (kcal) e quilojoules (kj) e é geralmente obtido, multiplicando-se o valor das proteínas e carboidratos por 4 e as gorduras totais por 9.

Gorduras saturadas e trans 

São dois tipos de gorduras, que em excesso, podem causar várias doenças. Ambas estão associadas a níveis elevados de colesterol no sangue e a riscos maiores de doenças do coração, derrame cerebral e problemas circulatórios. Portanto, se um alimento apresentar teores elevados desses tipos de gorduras, fuja dele!
A porcentagem do valor diário de ingestão de gorduras trans não é declarada porque não existe requerimento para a ingestão dessas gorduras. Ou seja, não existe um valor que deva ser ingerido diariamente, uma vez que sua ingestão não é recomendada, mesmo que em quantidades mínimas.

Por que dieta baseada em 2000 kcal? 

Antigamente as tabelas nutricionais eram baseadas em uma dieta de 2500kcal, no entanto, devido ao aumento da prevalência de obesidade da população, o valor foi reduzido para 2000kcal. Esse valor foi estabelecido com base nas necessidades diárias para um adulto normal. Entretanto, deve-se entender que ele foi estipulado somente para efeito de padronização da rotulagem de alimentos, uma vez que as necessidades calóricas e de nutrientes de uma pessoa variam de acordo com sexo, atividade física, peso, idade e, consequentemente, podem ser inferiores ou superiores ao valor estipulado como referência. 
OBS.: verifique que o que está grifado, significa para um adulto saudável, sem restrições dietéticas. Note também, que a quantidade de 2000 kcal não é a mesma quantidade para crianças até 8 anos de idade.

Fonte: Anvisa - http://www.anvisa.gov.br/alimentos/rotulos/guia_bolso.pdf

Fique esperto e exija seus direitos

Atualmente todos os rótulos devem estar dentro dos parâmetros exigidos pela nova resolução. Portanto, você consumidor deverá ficar atento e exigir que isso realmente seja cumprido. Se tiver dúvidas procure pelos movimentos de defesa do consumidor ou procure obter informações com a comunidade científica de alimentação e nutrição.
Não se deixe enganar por afirmações feitas em rótulos que iludem e confundem você. Veja o caso de muitos óleos e produtos vegetais que às vezes recebem a classificação de “sem colesterol”, um procedimento que jamais deveria ser permitido, porque o colesterol é encontrado somente em produtos animais e não está presente em produtos vegetais.
O mesmo vale para afirmações feitas quanto à saúde. Todas elas devem ser baseadas em evidências científicas aceitas por especialistas qualificados. Assim, antes que um fabricante possa afirmar que um produto diminui o risco de doença do coração, por exemplo, esse benefício deve ser comprovado por estudos científico
.




Fonte: Jornal "Folha de São Paulo" caderno Saúde - publicado no dia 18/09/2011
e Dra. Jocelem Mastrodi Salgado - Pesquisadora e Profª Titular em Nutrição - Esalq - USP

terça-feira, 5 de junho de 2012

Tomate



Benefícios do consumo do tomate para saúde:





Para o coração
No mundo ocidental, as doen­ças cardiovasculares são reconhecidas como a maior causa de morbilidade e mortalidade.  Apesar de fatores relacionados com a idade e a predisposição genética, a presença de hipertensão, de colesterol, de tabaco e de uma alimentação pouco saudável, associada à vida sedentária e à falta de exercícios físicos, contribuem em grande medida para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
É desta forma que os médicos apostam, acima de tudo, na prevenção. E se essa prevenção passa por controlar, através de terapêutica, a hipertensão e o colesterol, requer igualmente a adoção de hábitos de vida saudáveis, notadamente no que diz respeito à alimentação. Deste modo, o tomate tem um papel importante no que diz respeito às doenças cardiovasculares, uma vez que o licopeno é «um poderoso antioxidante», capaz de minimizar os riscos de ataques cardíacos.  O licopeno impede a oxidação do mau colesterol, o LDL, que é responsável pela formação de placas de gordura no sangue e consequente ocorrência de enfartes do miocárdio e acidentes cardiovasculares.
«Os antioxidantes são substâncias encontradas em certos alimentos (até há poucos anos os antioxidantes mais conhecidos eram a vitaminas C e E) e têm como objetivo evitar o desencadeamento de reações químicas no organismo.»
«Combatem os radicais livres que são substâncias nocivas para o organismo – causam danos nas células –, que levam ao envelhecimento precoce, ao surgimento de cancro e doenças cardiovasculares» afirma a presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas.
«Além do licopeno, o tomate é também fonte de vitamina C e de potássio, mineral importante no controlo da pressão arterial, nas contrações musculares, na saúde das artérias e na manuten­ção dos líquidos celulares.»
Um estudo de Harvard indicou que a ingestão diária do tomate, ou seus derivados, pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares em 30%.
O estudo comparou mulheres que consumiam, por dia, sete ou mais alimentos cuja base era o tomate, com mulheres que só faziam uma ingestão desse fruto por semana. Ambos os grupos tinham, na altura, ausência de doença cardíaca e os fatores de risco, acima referidos, encontravam-se controlados.
A investigação demonstrou uma relação entre o aumento do consumo de licopeno, através do tomate, na alimentação e a redução no risco de doenças cardiovasculares. O que significa que, para o organismo obter a dose adequada de licopeno, deve-se aumentar a ingestão dia­ria do tomate, seja ele cru, cozido, em molho,  polpa, ou ainda melhor, o suco.

Como potencializar  a absorção do licopeno pelo organismo
Por ser um carotenóide, o licopeno é mais bem absorvido na presença de gordura. Assim, a adição de uma dose moderada de gordura monoinsaturada (como o azeite) facilita o transporte, a absorção e a ação do licopeno no organismo. Alexandra Bento sugere que, «para tornar a refeição com tomate ainda mais poderosa e saudável, devemos acrescentar um fio de azeite ao tomate, podendo ser consumido em sopa de tomate, caldeiradas ou numa simples salada» refere, acrescentando:
«Outra característica interessante é que o calor aumenta a biodisponibilidade do licopeno, ou seja, esse fitoquímico é mais bem absorvido pelo nosso organismo quando o tomate é cozido. Sendo assim, uma interessante forma de o comer é nos molhos e sopas de tomate.»
«Além disso, é importante mencionar que o processo de industrialização do tomate, para a elaboração de molhos prontos, ou outros preparados com tomate, não destrói o licopeno. Contudo, atenção na escolha, é melhor estar atento aos rótulos e escolher aqueles com menores valores de calorias e sódio.»

Outros benefícios
Estimulação da secreção gástrica e da ação depurativa do sangue e auxilia no tratamento de pele, gota, reumatismo, astenia e prisão de ventre;
Ajuda no crescimento e na ossificação, além de auxiliar contra infecções, perturbações digestivas e pulmonares;
Auxilia no tratamento contra caspa e queda de cabelos.
Passar o suco da tomate em manchas causadas pelo sol pode fazê-las desaparecer.
O licopeno, que é uma propriedade fitonutritiva do tomate, permite que ela auxilie contra doenças cardiovasculares e contra o desenvolvimento de câncer;
Os tomates são as fontes alimentares mais ricas em anticoagulantes.

Tomate cereja, Débora, Caqui, Sweet Grape... são tantas opções de tomates nos supermercados e feiras livres que a gente fica até confuso na hora de escolher! Apesar do tomate ser um fruto mais utilizado em molhos, sanduíches, pizzas e saladas, ele é muito versátil e pode integrar até drinques, como o clássico Bloody Mary. Em geral, o tomate pode ser feito assado, grelhado, em molhos, em refogados e para conferir acidez a alguns pratos, usando o método pinçage. Esta técnica de cozinha serve para caramelizar o tomate em gordura, para reduzir a acidez, doçura ou amargor excessivo. Em algumas preparações, o tomate é usado sem pele - e há um truque ótimo para retirar a pele do tomate em 5 minutinhos usando o micro-ondas!

Origem do tomate
E você sabe de onde é que vem o tomate? Todo mundo já pensa logo na Itália, mas foi aqui, na América do Sul, mais precisamente na região da Cordilheira dos Andes, que este fruto surgiu. Com a chegada dos europeus no século 16, o fruto foi levado para a Europa, e aperfeiçoado pelos italianos, que o batizaram como "pomodoro" (pomo de ouro, em italiano), por conta da coloração amarelada do fruto daquela época. Por aqui, os tipos mais comuns são:

Débora
Este tomate é muito usado para fazer molho caseiro e tomates secos. Tem consistência firme e dura bastante na geladeira. Cada tomate pesa em média de 120 a 200g.

Caqui
Este tomate é ideal para ser consumido ao natural, em saladas e sanduíches. Os frutos são bem graúdos - tem alguns que chegam a pesar 500g , de cor bem vermelha e sabor acentuado.

Cereja
Este tomate é bem pequeno, leve, de sabor suave e adocicado. Fica ótimo em saladas, servido in natura, , em sanduíches, em receitas de macarrão caprese, e até em decoração de pratos.

Italiano
Eles são mais compridinhos que os outros, e assim como o Débora, rendem bons molhos caseiros. As variedades mais comuns deste tomate são o Giuliana, Pizzadoro e San Vito.

Holandês
O tipo holandês é vendido em cachos com ramas verdes, e fica muito bonito para decorar mesas. Na hora de comprar, sempre escolha os tomates com os ramos mais verdinhos, que são os mais frescos.

Carmen
Este é o tipo mais encontrado em feiras e supermercados, e é o mais em conta  porém, tem sabor um tanto aguado, e sua coloração pende para o amarelo. Um bom uso para ele é in natura em saladas.

Mamotaro
Este é o tomate japonês, de produção limitada, que vai muito bem servido ao natural em saladas. Tem coloração rosada, consistência macia e sabor levemente adocicado.

Sweet Grape
Este é uma variação do tomate cereja, mais comprido e adocicado. Fica ótimo em preparações frias, como saladas, sanduíches e canapés.

Como comprar
Nunca compre tomates com manchas escuras, partes podres ou emboloradas. Nem compre os verdes, que amadurecem fora do pé, pois eles têm menos vitaminas que os maduros. Escolha sempre os bem vermelhinhos, firmes e com casca lisa.
Além disso, leve em conta, na hora de comprar, o modo como você pretende prepará-los: eles precisam ser bem maduros e vermelhos para dar cor e consistência a molhos, sopas, cremes e sucos, mas não há necessidade de que sejam grandes e bonitos.
Para isso, você pode aproveitar os tomates menores. Mas, se for usá-los em saladas, escolha tomates grandes, que não estejam machucados, de cor uniforme, lisos e brilhantes.

Como guardar
Lave e enxugue os tomates antes de guardá-los na gaveta da geladeira própria para legumes. Assim, eles não correm o risco de mofar e podem ser conservados em boas condições até por 1 semana. O tomate inteiro não deve ser congelado. Apenas o molho de tomate pode ir ao congelador.

Algumas dicas de uso do tomate
Tomate com um pouco de salsa é ótimo remédio para artrite. Para amenizar infecções nos rins, tome 1 ou 2 copos por dia de suco de tomate batido no liquidificador com 2 ou 3 talos de salsão. O tomate é também ótimo para eliminar verrugas e calos: Basta colocar um pedaço de tomate sobre o local, prender com uma gaze e deixar durante toda uma noite.
Para curar ressaca, use o suco de tomate com bastante limão e uma pitada de sal.
O suco de tomate também server para tirar tinta de escrever das mãos. Sementes de tomate são ótimas para limpar jóias de ouro. Ponha as sementes numa vasilha com água fria e mergulhe as jóias. Enxague e seque em seguida.

Em abril de 2011,  artigo publicado no jornal "Folha de São Paulo", caderno Saúde, sob o título:  "Composto extraído do tomate promete ação antitrombose".  Conta a reportagem que "um ingrediente extraído do tomate pode melhorar a circulação sanguínea e diminuir o risco de trombose.  Pelo menos, é o que promete a fabricante, a holandesa DSM, que acaba de trazer a novidade para o Brasil....Segundo Bernard Mussler, pesquisador da DSM, estudos com cerca de 300 pessoas comprovam a eficácia do composto, patenteado com o nome de Fruitflow.  A principal ação do ativo aconteceria na inibição da agregação plaquetária - etapa da coagulação do sangue." e afirma: "Inibir a agregação plaquetária é um mecanismo reconhecido para diminuir risco de doença cardiovascular."
Para o nutrólogo Celso Cukier, do Hospital São Luiz, os estudos até agora não são conclusivos.  "Faltam informações sobre qual seria a molécula ativa e a dose ideal."
Enquanto os pesquisadores não concluem seus estudos a cerca dessas substâncias, vamos ingerindo quando possível o tomate in natura ou seus produtos, como molhos, sucos, polpas...Pois ninguém resiste a uma boa saladinha de tomate bem temperada, ou uma bela macarronada suculenta!!!


Fonte:
A responsabilidade científica desta informação é da Medicina e Saúde)

Consulevoce/BlogdaConsul/EntryId/620/Saiba-tudo-sobre-tomates

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Cafeína: benefícios e prejuízos para a saúde




Vez ou outra, ao nos deliciarmos com uma xícara em meio a uma roda de amigos, alguém pergunta: Será que café faz mal? Ou então: Vocês viram, agora o café faz bem? Vamos pôr fim de vez a essas dúvidas. Os cientistas já consideram o café como alimento funcional (previne doenças mantendo a saúde) ou mesmo um nutracêutico.
Para muitos de nós, uma xícara de café sempre cai bem como um saboroso estimulante.  O cafezinho traz uma nova disposição pela manhã e chega a tirar aquela sonolência que às vezes surge logo depois do almoço.  Embora seja uma substância que crie dependência, a cafeína traz benefícios como um aumento na capacidade mental e na concentração, embora temporárias.  Outra notícia boa é que a grande maioria dos estudos não encontrou relação entre o café e vários tipos de câncer, nem com a osteoporose.  Mas o consumo da cafeína deve ser moderado, pois pode provocar irritação no estômago e, entre outras coisas, inibe o sono profundo e pode provocar arritmias.  Veja quais os riscos e benefícios dessa bebida que é uma das mais consumidas no país.
A cafeína é uma substância branca, cristalina, de sabor muito amargo, considerada a mais popular dentre as substâncias viciantes que existem.  As fontes mais comuns de cafeína são o café, a semente de cacau (utilizada na fabricação do chocolate), a semente de cola (utilizada na fabricação de refrigerantes) e os chás.  É também adicionadas a alguns analgésicos, medicamentos contra a gripe e medicamentos utilizados para estimular a capacidade mental.
A quantidade de cafeína nos alimentos varia dependendo do tamanho da porção, do tipo do produto e do método de preparo.  No caso do café e dos chás, a variedade da planta também interfere na quantidade de cafeína.  Veja:



Quantidade de Cafeína nos alimentos

Alimento (porção em g ou ml)                                  Quantidade de cafeína (mg)

Refrigerante a base de laranja (355ml) ............................................ 0
Café Instantâneo e descafeinado (240ml)..........................................3
Achocolatado pronto (220ml)...........................................................5
Café Filtrado e descafeinado (240ml)................................................6
Bebida a base de cacau (300ml).......................................................9
Chá branco (240ml).......................................................................15
Chocolate ao leite (28g).................................................................20
Chá verde (240ml).........................................................................25
Chocolate em pó (28g)...................................................................26
Refrigerante a base de cola (355ml)................................................36
Chá mate (240ml)..........................................................................47
Café Instantâneo (240ml)...............................................................57
Bebida energética – Red bull (250ml).............................................76
Café Expresso (30ml)....................................................................77
Café Filtrado (240ml)..................................................................108

ESCRITO POR KELLY STEIN EM CURIOSIDADES   

TAGS: ALIMENTOS, CAFÉ, CAFEÍNA, CAROLINA CAMPOS, CHÁ, ESTIMULANTE, NUTRICIONISTA, VANESSA ALVES LOBATO


A cafeína dentro do nosso corpo:
Quando ingerimos café, chocolate e refrigerantes à base de cola, a cafeína presente nesses alimentos é absorvida pelo intestino delgado e, após alguns minutos, já está na corrente sanguínea, sendo levada para todos os órgãos do corpo.  Ela acelera os batimentos cardíacos, estimula o cérebro, aumenta o fluxo urinário, a produção de ácidos digestivos, relaxa os músculos lisos e também os que controlam os vasos sanguíneos e as vias respiratórias.
A abstinência súbita de cafeína por pessoas acostumadas com o consumo razoável pode causar dores de cabeça, irritação e outros sintomas cuja gravidade varia de uma pessoa para outra.
Em pessoas sensíveis, a cafeína pode provocar enxaquecas, enquanto em outras alivia a dor de cabeça, relaxando o vaso sanguíneo que provoca a dor latejante. 
Nos últimos anos, vários estudos têm sido conduzidos no sentido de associar os efeitos fisiológicos da cafeína como desencadeadora de algumas patologias e seus possíveis efeitos sobre o desempenho mental, estimulando a concentração e até mesmo a sua influência no aumento da  performance do atleta .

Cafeína e a relação com algumas doenças
Com o passar dos anos, ambos, cafeína e café, têm sido associados com certos tipos de câncer; no entanto, essas associações não são sustentadas pelos pesquisadores.  Vários estudos clínicos e epidemiológicos que examinaram a ligação entre câncer de bexiga, cólon e pâncreas e o consumo de café ou chá foram revisados na década de 1990.  Os estudos revisados, 13 no total, incluindo 20.000 pessoas, não acharam correlação entre o consumo de café ou chá e a incidência desses tipos de canceres.  Uma meta-análise realizada em 1993 não encontrou evidências de aumento de risco de câncer do trato urinário com o consumo de café.
Uma revisão científica realizada por Lubin & Ron (1990) examinou todos os dados ligados ao consumo de cafeína e tumores malignos na mama.  Mais de 11 casos-controle revisados não estabeleceram uma ligação significativa entre a ingestão de cafeína e a incidência de câncer de mama.
O guia dietético da Sociedade Americana de Câncer diz não haver indicação de que a cafeína é um fator de risco para o câncer em humanos, e o Nacional Academy of  Sciences (1989) aponta que nada de convincente foi relacionado com a cafeína e qualquer tipo de câncer.
Um estudo de 1986 citou a ligação entre o consumo excessivo de café e a doença cardíaca, mas as investigações falharam no que se refere ao "grupo controle" e a outros fatores de risco significativos como dieta e cigarro.  Um estudo subsequente, conduzido por pesquisadores da Universidade de Havana, concluiu que o consumo de cafeína não causa um aumento substancial no risco de doença coronária ou enfarte.  O estudo incluiu 4.558 homens em idade entre 40 e 75 anos, e o consumo de gorduras, colesterol e o hábito de fumar de cada participante foi levado em consideração nos ajustes estatísticos.  
Uma pesquisa conduzida em 1996 analisou 85.747 mulheres, relacionando o consumo de café e o desenvolvimento de doenças coronárias.  O estudo não encontrou evidências positivas entre o consumo de café e o risco de doenças do coração.
Outra dúvida que muitas pessoas têm é com relação a osteoporose e o consumo de cafeína.  Um estudo realizado em 1990 demonstrou que a cafeína não tem efeito apreciável no balanço de cálcio em mulheres que se encontram na pré-menopausa e consomem, pelo menos, 600 mg de cálcio por dia. Outro estudo realizado em 1992 examinou a ingestão de café em 980 mulheres na pós-menopausa e demonstrou que há associação entre a ingestão de café (equivalente a 2 xícaras/dia) e a redução da densidade mineral óssea.  Todavia, essa observação foi feita entre mulheres que tinham uma baixa ingestão de leite, sugerindo que o consumo de café substitui a ingestão de leite para essas mulheres.  A suplementação de cálcio para aquelas que consumiam pelo menos 1 copo de leite por dia eliminou a relação entre a ingestão de café e a diminuição da densidade óssea.

O que é perigoso
O consumo excessivo de alimentos que contêm cafeína pode trazer alguns perigos para a nossa saúde.  Por isso, recomenda-se que o consumo de café, por exemplo, seja moderado.  A sugestão para aquelas pessoas que consomem muito café, é que procurem reduzir a cafeína de outras fontes, por exemplo, limitando o consumo de chocolate e eliminando da dieta os refrigerantes do tipo cola.
A seguir, alguns problemas que podem estar relacionados ao consumo excessivo de cafeína:
1- Infertilidade: estudo recente demonstrou que mulheres que bebiam mais de 3 xícaras de café (300 mg de cafeína) por dia reduziram suas chances de concepção em aproximadamente 25%;
2- Problemas cardíacos: a cafeína causa um aumento temporário na pressão arterial e pode provocar arritmias cardíacas em pessoas suscetíveis;
3- perda óssea: o café aumenta a eliminação de cálcio na urina.  Para compensar essa perda, pessoas que consomem muito café devem ingerir uma quantidade extra de alimentos ricos em cálcio;
Outros inconvenientes: a cafeína pode viciar e provocar sintomas de abstinência; pode causar insônia; quantidades excessivas podem provocar tremores, palpitações e ansiedade.  Seu efeito diurético aumenta o fluxo urinário.

O que é benéfico
A ingestão de alimentos que contêm cafeína pode trazer alguns benefícios para o nosso organismo.  Mesmo assim, recomendamos que o consumo seja feito com bom senso, moderadamente.
A cafeína pode;
1- aumentar temporariamente a capacidade mental e a concentração;
2- melhorar por algum tempo o desempenho atlético aumentando a força e a resistência muscular;
3- evitar uma crise de asma, relaxando os músculos bronquiais obstruídos.

A cafeína e sua relação com o sono
A cafeína exerce um importante efeito sobre o sono ao inibir a ação da adenosina, hormônio associado ao sono profundo.  O tempo de meia-vida da cafeína no organismo é de 4 a 6 horas.  Portanto, se bebermos uma xícara de café (cerca de 100 mg de cafeína) por volta das 17 horas, cerca de 50 mg de cafeína ainda estarão em nosso corpo lá pelas 22 horas.  Podemos ainda estar aptos a dormir, mas provavelmente não iremos usufruir os benefícios do sono profundo.  No dia seguinte, precisaremos de mais cafeína para nos sentirmos melhor e esse círculo vicioso continua, dia após dia.  Muitas vezes, ao tentarmos parar de consumir cafeína, poderemos nos sentir deprimidos e, algumas vezes, com uma terrível dor de cabeça causada pela excessiva dilatação dos vasos sanguíneos no cérebro.  Esses efeitos negativos, geralmente, forçam-nos a correr de volta para o consumo de cafeína.
Muitas pessoas, na tentativa de evitar a insônia, tomam café descafeinado.  Mas mesmo o café descafeinado contém até 5 mg de cafeína em uma xícara de 140 mL.  Por isso, pessoas com problemas de insônia ou má digestão devem evitar tomar café de qualquer tipo.  Substâncias químicas utilizadas na eliminação da cafeína podem colocar a saúde em risco.  Prefira marcas de café que tenham sido descafeinado por extração com água.


Curiosidades
Novos estudos estão sendo feitos para avaliar o possível benefício de seu consumo na prevenção da depressão, tabagismo, alcoolismo e mesmo infarto do miocárdio devido aos ácidos clorogênicos e quinídeos. O que já se sabe é que 4 xícaras diárias beneficiam atletas.
Medicamentos com cafeína na composição
Existem vários medicamentos com cafeína em sua composição, pois na dose de aproximadamente 50 mg ela atua como potencializador de alguns analgésicos na dor de cabeça, por exemplo.
Cosméticos a base de cafeína 
Há vários cremes anti-celulite onde um dos componentes principais é a cafeína. Ela tem a capacidade de transformar a gordura em ácido graxo e glicerol, facilitando a eliminação dos excessos na célula. Estudos muito recentes revelam que a cafeína pode combater o câncer de pele, se formulado em preparações tópicas. Massoterapeutas estão cremes a base de cafeína para quem quer eliminar a celulite. A massagem é feita com pressões fortes nas regiões onde há acumulo de moléculas de gordura e, depois o local é envolvido por um produto a base de café. Através da quebra de gordura é possível alcançar a camada mais profunda da pele para eliminar os indesejados furinhos. A cafeína ativa a microcirculação da pele, funcionando como firmadora e hidratante corporal

Bom, depois de tudo isso fica fácil deduzir que o café não é nem mocinho e nem vilão. Como tudo que é consumido em excesso, o café pode fazer mal. O ideal seria não ultrapassar as 4 xícaras por dia. E, se a vontade for irresistível, a partir da quinta xícara, opte pelo descafeinado. Há opções em pó e solúvel, de diversas marcas. Não se esqueça de somar nessa conta o consumo de pó de guaraná e alguns tipos de chás como o matte ou preto que também contém cafeína, embora em menor quantidade


Fontes:
>Benefícios do café e da cafeína .  Publicado 16 Jun 2009 por Renata Fraia
> Alimentos Inteligentes - Dra. Jocelem Mastrodi Salgado - Pesquisadora e Profa. Titular em Nutrição - ESALq -USP

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sistema Imunológico: como aumentar as defesas do seu organismo



Esta época do ano que marca o início do outono, começam os ventos, o ar fica mais seco, as noites são frias e os dias quentes, ficamos muito vulneráveis às mudanças repentinas de temperatura e mais expostos aos ventos, sentimos um pouco mais de cansaço, a nossa pele fica mais seca, a nossa resistência cai um pouco. Então, o que podemos fazer para adquirir mais resistência e mais reforço imunológico?
Nosso corpo está em constante prontidão para se defender de ataques "inimigos" que tentam se aproveitar dos nossos descuidos.  O sistema imunológico de cada pessoa é uma espécie de barreira contra esses ataques.  Vamos ver os alimentos que podem fortalecer nossas defesas contra essas ameaças.
Desde o momento em que nascemos, estamos expostos a bactérias, vírus, fungos e outras substâncias estranhas que podem agredir nosso organismo.  Entretanto, para combater esses inimigos, nosso corpo está equipado, dispondo do que chamamos de sistema imunológico, ou seja, um "exército" de células específicas que estão sempre alerta e prontas para defendê-lo de agentes estranhos.  Contudo, esse sistema pode muitas vezes ficar fragilizado, debilitado e, quando isso acontece, nós nos tornamos suscetíveis a todos os agentes estranhos já citados, que tendem a provocar resfriados, gripes ou outras doenças mais sérias, como infecções ou outras doenças degenerativas.
Entre os fatores que podem acarretar prejuízos para o sistema imunológico destacamos o estresse físico, ambiental (por exemplo, a poluição e alterações bruscas de temperatura), emocional (por exemplo, a depressão) e a alimentação desequilibrada, que considera-se como sendo o mais importante.
Vamos entender como funciona o sistema imunológico:
A função do sistema consiste em reconhecer cada um dos tecidos, células e proteínas do organismo para distingui-las de uma ampla variedade de agentes patogênicos e substâncias estranhas.  Nesse processo, os linfócitos T, células pequenas que fazem parte dos glóbulos brancos sanguíneos (também conhecidos como leucócitos), têm grande importância.
Durante o desenvolvimento fetal, o sistema imunológico "aprende" a distinguir substâncias próprias do organismo e com isso mantém desativados os linfócitos T que reagiram diante delas.  Mas, quando um agente estranho, como por exemplo, uma bactéria, invade o nosso corpo, essas células são ativadas com o objetivo de defender nosso organismo dos possíveis prejuízos que a bactéria causará.  É por isso que os linfócitos são frequentes em  áreas de inflamação crônica, pois eles estão ali para exercer sua função imunológica; é por isso que em um exame de sangue a taxa alterada dessas células (leucócitos) pode indicar que algo vai mal com o nosso sistema imunológico.  Uma concentração anormal, maior que o valor de referência, pode indicar, por exemplo, infecção.
Alimentos que mantêm o sistema imunológico em dia:
Uma pessoa bem nutrida, que se alimenta de frutas, verduras, legumes e grãos, está muito melhor preparado para enfrentar gripes, infecções e outras doenças "oportunistas".  Um indivíduo mal nutrido, cujo cardápio é rico em alimentos gordurosos, processados e com excesso de açúcar, ficaria vulnerável a todos os riscos de adquirir doenças.
Sabemos que as vitaminas e minerais que potencializam as nossas defesas orgânicas estão presentes em grande quantidade nas frutas, grãos e hortaliças em geral.
As principais vitaminas e minerais que atuam no fortalecimento do nosso sistema imunológico são as vitaminas A, C, E, ácido fólico e os minerais zinco e selênio. Veremos quais as principais funções imunológicas de cada um desses nutrientes e em quais alimentos são mais encontrados.

Vitamina A - Essa vitamina desempenha um papel muito importante na manutenção da integridade das membranas mucosas; por isso, sua deficiência no nosso organismo provoca uma redução do número de linfócitos T circulantes aumentando, assim, a probabilidade de infecções bacterianas, virais ou parasitárias.
Os alimentos considerados ricos nessa vitamina são: cenoura, abóbora, fígado, batata doce, damasco seco, brócolis e melão.

Vitamina C - Essa vitamina antioxidante estimula a resistência às infecções por meio da atividade imunológica de leucócitos.  Ela aumenta a produção dessas células de defesa, que têm efeito direto sobre bactérias e vírus, elevando a resistência às infecções.
Acerola, frutas cítricas (limão, laranja, lima), kiwi, caju, goiaba, manga, tomates e vegetais folhosos crus são fontes excelentes; morangos, repolho, pimentão verde são também ótimas fontes.  Mas, atenção: a vitamina C é facilmente destruída pela luz e calor (volátil).  Um suco de laranja com acerolas, por exemplo, deve ser consumido imediatamente após o preparo para que não haja grande perda de vitamina C.

Vitamina E - Essa vitamina tem a capacidade de interagir com as vitaminas A e C com o mineral selênio, agindo como antioxidante.  Sua função primordial é proteger as membranas celulares contra substâncias tóxicas, radiação e os temerosos radicais livres que são liberados em qualquer reação química do organismo e podem causar sérios danos às estruturas das células, detonando o processo de envelhecimento e de desencadeamento de algumas formas de carcinogênese.
Alimentos ricos em vitamina E são o germe de trigo (fonte mais importante), óleos de soja, arroz, algodão, milho e girassol, amêndoas, nozes, castanha do pará, gema, vegetais folhosos e legumes.

Ácido Fólico - Essa vitamina é essencial para a formação dos leucócitos (glóbulos brancos) na medula óssea.  Alimentos ricos em ácido fólico são fígado, feijões e vegetais folhosos verde-escuros (brócolis, couve, espinafre).

Zinco - Esse mineral atua na reparação dos tecidos e na cicatrização de ferimentos.  Uma deficiência de zinco resulta em diversas doenças imunológicas; a deficiência grave causa linfopenia (grande diminuição do número de linfócitos).  Fontes alimentares importantes de zinco são as carnes, os peixes (incluindo ostras e crustáceos), as aves e o leite.  Cereais integrais, feijões e nozes também são boas fontes.

Selênio - Assim como a vitamina E, esse mineral possui grande capacidade antioxidante, ou seja, neutraliza a ação dos radicais livres (formados devido à ação dos raios solares, poluição, fumaça de cigarro, entre outros) no nosso corpo, retardando o processo de envelhecimento e evitando o desencadeamento de algumas formas de câncer.
Castanha do pará, frutos do mar, fígado, carne e aves são os alimentos mais ricos em selênio.

Alguns alimentos que apresentam propriedades benéficas para o sistema imunológico:

>Iogurte e leite fermentado, também conhecido como probióticos, possuem microrganismos vivos que recuperam a flora intestinal.
>Alho é um excelente agente antibacteriano, além de possuir substâncias que previnem o câncer gástrico e doenças cardiovasculares.
>Cogumelo Shiitake que possui lentinan, substância que aumenta a produção de células de defesa do organismo.
> Acerola é uma fruta riquíssima em vitamina C (30 a 50 vezes mais que a laranja).  Essa vitamina age na reconstrução dos leucócitos em períodos de queda de resistência.
> Gengibre é um excelente alimento que ajuda no fortalecimento do sistema imunológico.
> Peixes Marinhos (sardinha, salmão, atum, arenque, cavala, etc.), São ricos em ácidos graxos ômega 3.  Melhoram o sistema imunológico e também reduzem o risco de doenças cardiovasculares e inflamatórias.

Atenção sempre voltada à alimentação balanceada, rica em frutas, vegetais e grãos, proporciona ao nosso organismo nutrientes importantes para o bom funcionamento do sistema imunológico.  Sabendo que, pessoas que seguem uma alimentação desse tipo adquirem defesas próprias contra as mais variadas doenças, tornando-se mais fortes do que elas e isso, com certeza, propicia tempo e qualidade de vida maiores. Admire a natureza, contemple o seu dia, tenha uma atitude positiva diante da vida, reclame pouco, tenha amigos, divirta-se, caminhe pelas ruas, cumprimente as pessoas, admire a lua e as estrelas, enfim, seja feliz valorizando tudo que a vida lhe oferecer. Assim, somos capazes de vencer qualquer doença.  


Fonte: Alimentos Inteligentes - Dra. Jocelem Mastrodi Salgado
          Pesquisadora e Profa. Titular em Nutrição - Esalq - USP