quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O que são gorduras TRANS



Alimentos industrializados contribuem com a depressão


Gorduras trans (ou ácidos graxos trans) são formadas quando se adiciona hidrogênio ao óleo vegetal, num processamento conhecido como "hidrogenação".  São encontradas nas margarinas, cremes vegetais, biscoitos, snacks (salgadinhos prontos), produtos de panificação e, alimentos fritos e lanches salgados que utilizam gorduras hidrogenadas.  As gorduras trans são um tipo específico de gordura formada por um processo de hidrogenação natural (ocorrido no rúmen de animais) ou industrial.  Estão presentes principalmente nos alimentos industrializados, como vimos acima.  Os alimentos de origem animal como a carne e o leite possuem pequenas quantidades dessas gorduras. E para que servem as gorduras trans?  As gorduras trans formadas durante o processo de hidrogenação industrial transforma óleos vegetais líquidos em gordura sólida à temperatura ambiente e são utilizadas para melhorar a consistência dos alimentos, e também aumentar a vida de prateleira de alguns produtos.
Sabemos que esse tipo de gordura faz mal para a saúde pois pode causar o aumento do colesterol total e ainda o colesterol considerado ruim - LDL, e reduzir os níveis de colesterol bom - HDL.  

Criada para dar mais sabor, melhorar a consistência e prolongar o prazo de validade de muitos alimentos, a gordura trans está presente na composição de boa parte dos industrializados comestíveis, das bolachas recheadas às batatas fritas, passando por bolos, pipocas de microondas, sorvetes, margarinas e salgadinhos de pacotes.  Facilita a vida da indústria, disso ninguém duvida, mas está cientificamente comprovado que prejudica a saúde do consumidor. A gordura trans passou, nos últimos anos de grande aliado da indústria de alimentação a vilão da vez, quando se pensa em alimento saudável.  Poucas foram, entretanto, as empresas que já conseguiram bani-lo definitivamente de suas receitas.  A maioria ainda está em busca de soluções de baixo custo, que tragam  resultados semelhantes aos oferecidos pelo seu uso.

No Brasil, margarinas como Becel, Doriana, Delicata e Qualy Light saíram na frente e se apresentam como produtos livres de gorduras trans.  Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), um alimento só pode ser considerado zero trans quando apresentar uma quantidade menor ou igual a 0,2 grama.

Apesar do alarde feito aqui e no exterior, a Dinamarca ainda é o único país que declarou oficialmente a gordura trans uma substância ilegal.  A vilã foi riscada do cardápio há algum tempo, levando os pequenos fabricantes de chocolates caseiros e as grandes indústrias a buscar novas alternativas para sua produção, sem perder a qualidade, o sabor e a validade.
De acordo com o Dr. Renato Grimaldi, especialista do laboratório de Óleos e Gorduras da Faculdade de Engenharia de Alimentos, da UNICAMP, a substituição das gorduras atuais parcialmente hidrogenadas com alto teor de trans pelas gorduras de baixo teor trans requer, em alguns casos, a alteração de boa parte das formulações, a fim de garantir a mesma performance final do produto.

"O desafio para os fabricantes de alimentos consagrados no mercado é fazer essa mudança sem que haja alteração da qualidade e do aspecto sensorial, itens fundamentais para o consumidor final", diz o especialista.  Segundo ele, para evitar a oxidação é necessário, também, o uso de antioxidante, a fim de não diminuir o prazo de validade.  Acreditar que a substituição da gordura trans é impraticável é um grande erro, dizem os estudiosos.  

Segundo o Dr. Grimaldi, praticamente todas as aplicações envolvendo o produto podem ser substituídas por gorduras com baixo teor de isômeros trans (cadeia de igualdade molecular).
"Uma das maiores barreiras da alteração imediata é o custo", declara.  "Na maioria das vezes, os novos ingredientes  (como por exemplo, o óleo de palma, também conhecido como óleo ou azeite de dendê), custam 25% mais, levando as empresas a readequar suas formulações".

A gordura trans está no topo da pirâmide, indicando que deve ser o tipo menos consumido. Na base, como a melhor gordura, está a gordura monoinsaturada.

Para controlar o consumo de gordura trans temos um aliado importante como a leitura dos rótulos dos alimentos que permite verificar se o que estamos consumindo são ou não ricos em gorduras trans.  A partir disso, deveremos preferir os de menor teor ou de preferência que não as contenham.

O valor de gorduras trans deve ser declarado em gramas presentes por porção de alimento,   A porcentagem do Valor Diário de Ingestão (%VD) de gorduras trans normalmente não é declarada porque não existe requerimento para a ingestão destas gorduras.  Ou seja, não existe um valor que deva ser ingerido diariamente.  A recomendação é que seja consumido o mínimo possível.  Não se deve consumir mais de 2 gramas de gordura trans por dia.  É importante também verificar a lista de ingredientes que compõe o alimento.  Através dela é possível identificar a adição de gorduras hidrogenadas durante o processo de fabricação.

A solução seria banir a trans da alimentação, como sugerem os nomes de organizações não-governamentais como a Ban Trans Fat e a Trans Free America? Na vida real, as coisas não funcionam assim. A questão não é abolir, mas tentar reduzir ao máximo o consumo de gordura trans. A dificuldade é saber quais alimentos a contêm e em qual quantidade. Para tentar resolver esse problema, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou que, a partir de 1º de agosto de 2006, as empresas devem especificar nos rótulos o teor de gordura trans de seus produtos.

De acordo com a nutricionista Vera Lúcia Chiara, uma questão que está sendo muito debatida é se gestantes e crianças devem consumir gordura trans. "Os ácidos graxos trans competem com um tipo de gordura insaturada, o ácido linoleico, que nosso organismo não produz. Isso atrapalha a produção de outras gorduras que são essenciais ao desenvolvimento neurológico do feto e da criança", explica a nutricionista.
Por não ser necessária ao organismo, não há um valor recomendado de gordura trans a ser ingerida, o ideal é consumir o mínimo possível. "Não é como as fibras ou os carboidratos, para os quais há um valor diário recomendado", diz Antonia Aquino, gerente de produtos especiais da Anvisa.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que a ingestão de gordura trans não ultrapasse 1% do valor calórico da dieta. Como cada grama de gordura equivale a nove calorias, um adulto que consome 2.000 calorias diárias não deveria ultrapassar 2 g de gordura trans (o equivalente a menos de 100 g de biscoitos recheados).


Rotulagem Terminou em 26 de julho deste ano o prazo para que as indústrias do setor alimentício mudem os rótulos das embalagens dos produtos e acrescentem a quantidade de gordura trans presente nos alimentos.

Além disso, a norma da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também determina que os rótulos informem o valor energético e a quantidade de carboidratos, proteínas, gorduras totais e saturadas, fibra alimentar e sódio presentes no alimento.

Até o dia 31 de dezembro, as empresas que fabricarem produtos em desacordo com a resolução da Anvisa serão notificadas. A partir de 1º de janeiro, porém, os fabricantes que não cumprirem as regras ficarão sujeitos às multas que vão de R$ 2.000 a R$ 1,5 milhão
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ALGUMAS DÚVIDAS


As gorduras são indispensáveis na alimentação?

A Organização Mundial de Saúde recomenda uma ingestão diária de gordura, de cerca de 30% do valor calórico total. As gorduras asseguram as funções vitais do nosso organismo.

O que consumir? Gorduras de origem vegetal ou animal?

As gorduras vegetais são ricas em gorduras insaturadas (monoinsaturadas e polinsaturadas) e são isentas de colesterol. As margarinas e os cremes vegetais para barrar e cozinhar são isentos de gorduras parcialmente hidrogenadas e não contêm ácidos gordos trans. As gorduras de origem animal (manteiga, natas) são compostas, essencialmente, por gordura saturada, colesterol e por gorduras trans.

Porque são saudáveis as gorduras vegetais?

Isentas de colesterol e de trans, ricas em gorduras monoinsaturadas e polinsaturadas, as gorduras de origem vegetal são mais saudáveis devido à sua composição. Estudos demonstram que podem ajudar a controlar os níveis de colesterol, destacando-se o seu papel na prevenção das doenças cardiovasculares. Ajudam também no correcto desenvolvimento cognitivo e sistema imunitário, entre outros.

As gorduras saturadas são prejudiciais à saúde?

O consumo elevado de gorduras saturadas (de origem animal) aumenta os níveis de colesterol no sangue, contribuindo para o “entupimento” das artérias e provocando doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro.

Onde podemos encontrar os diferentes tipos de gordura?

Nos alimentos de origem animal, existe, maioritariamente, gordura saturada. Contrariamente, nos alimentos de origem vegetal, prevalecem as gorduras insaturadas (monoinsaturadas e polinsaturadas). Para reduzir o consumo de gordura saturada, consuma menos carnes gordas, enchidos e produtos lácteos gordos. As gorduras monoinsaturadas encontram-se no azeite e óleo de amendoim, nas amêndoas e nas azeitonas. As gorduras polinsaturadas dominam a composição dos óleos vegetais como os de girassol, milho ou soja, presentes nas margarinas e cremes vegetais para barrar e cozinhar, e nos peixes gordos (sardinhas, salmão, cavala, atum, etc.).

Margarinas e Cremes vegetais

Quando o valor total de gordura é inferior a 80%, as margarinas designam-se por cremes vegetais para barrar ou cozinhar. Se os valores de gordura forem inferiores a 40% denominam-se por cremes vegetais para barrar light.

Gordura insaturada

Constituída por ácidos gordos monoinsaturados e polinsaturados, tem um papel preponderante e activo na nossa saúde, nomeadamente na saúde cardiovascular. A substituição de gorduras saturadas por insaturadas ajuda a diminuir o nível de mau colesterol no sangue.

Gordura polinsaturada

A gordura polinsaturada (Ómega 3 e 6), é reconhecida como um ácido gordo essencial. É uma gordura necessária ao crescimento do feto e das crianças, manutenção celular e desenvolvimento cerebral favorecendo uma boa acuidade visual. Presente em óleos vegetais, margarinas/cremes vegetais para barrar e cozinhar e peixe gordo.

Acidos gordos essenciais

Gorduras polinsaturadas (Ómega 3 e 6) são essenciais porque o nosso organismo não é capaz de os produzir. A única forma de os obter é através da alimentação. Fundamentais à nossa saúde, devem ser consumidos diariamente.

Gordura monoinsaturada

Importante para as membranas celulares, pois oferece resistência ao aquecimento, não é considerada um ácido gordo essencial porque o nosso organismo é capaz de a sintetizar. Encontra-se no azeite, em alguns peixes e frutos gordos.

Gordura saturada

Associada ao aumento de risco de doenças cardiovasculares, de colesterol sanguíneo (em particular o colesterol LDL) e alguns tipos de cancro, reconhece-se pelo facto de ser sólida à temperatura ambiente. Presente na manteiga, natas, leite gordo, queijos gordos, produtos de charcutaria gordos e gordura de carne de vaca. O seu consumo deve ser limitado, não ultrapassando 10% da energia total diária.

Gordura hidrogenada

Resultado da transformação da gordura líquida em sólida. Neste processo formando ácidos gordos trans, um tipo de gordura que é prejudicial à saúde.  As margarinas e os cremes vegetais para barrar e cozinhar não passam por um processo de hidrogenação.

Gordura trans

Os ruminantes produzem ácidos gordos trans durante a sua digestão. Por isso, a sua carne tem gordura trans, bem como os seus derivados. Industrialmente, os ácidos gordos trans resultam da transformação das gorduras líquidas em sólidas (hidrogenação). Durante a fritura a altas temperaturas, também se podem formar ácidos trans, recomendando-se o uso de gorduras adequadas ao aquecimento. As gorduras trans estão geralmente presentes em bolachas e em refeições pré-preparadas.
Fontes:
http://www.unilever-jm.com/brands/hygieneandwelbeing/Vida-saudavel/Duvidasgorduras.aspx

http://www.engalimentos.com.br/post/2011/03/02/Perfil-nutricional-de-alimentos-com-alegacao-de-zero-gordura-trans.aspx

http://www.queijosnobrasil.com.br/gordura-trans.html

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Dieta mediterrânea à brasileira



Clima e posição geográfica de países como Grécia, Espanha, Itália, Marrocos, Tunísia e França, fazem com que esses países do mediterrâneo consigam produzir frutas e verduras de excelente qualidade - elas amadurecem sem umidade e preservam uma grande intensidade de cores e aromas.
Esta união de vários tipos de culinária tem muito em comum, o consumo frequente de leite e seus derivados, peixe; e, claro, o uso do azeite de oliva.

A dieta desses países também é conhecida pelo alto consumo de frutas, hortaliças (verduras e legumes), cereais, leguminosas (grão-de-bico, lentilha), oleaginosas (amêndoas, azeitonas, nozes), peixes e vinhos. O resultado dessa combinação de sabores faz com que seus habitantes desenvolvam menos doenças e vivam mais.

A grande diferença entre a dieta mediterrânea e a nossa está no baixo consumo de carnes vermelhas, gorduras de origem animal, produtos industrializados e doces (ricos em gordura e açúcar).
Um estudo apresentado durante o encontro anual da American Society for Reproductive Medicine, nos Estados Unidos, comprovou que a dieta adotada pelas mulheres de países da região do mar Mediterrâneo garante não apenas melhor qualidade de vida, mas também aumenta as chances de sucesso no tratamento de ovários policísticos e de gravidez.
"A dieta do Mediterrâneo sempre foi associada à vida longa. Ela orienta as pessoas a consumirem mais vegetais, legumes, cereais integrais, sementes, óleos nobres, queijos e iogurtes. Além disso, alguns alimentos são ‘obrigatórios’: tomate, alho, maçã, nozes e vinho. Isso tudo acompanhado de exercícios moderados, mas regulares. A caminhada de meia hora todos os dias é uma grande aliada desse processo de recuperação da saúde", diz Silvana Chedid, especialista brasileira em Reprodução Humana.
Uma nova dieta mediterrânea abrasileirada, que substitui atum, castanhas e azeite extravirgem por alimentos baratos e acessíveis no país, como sardinha, milho, sopa de feijão e tapioca.  Esse é o projeto do HCor (Hospital do Coração), em parceria com o Ministério da Saúde.
A ideia é lançar no país uma dieta com alimentos de baixo custo e presentes na rotina dos brasileiros para a prevenção de doenças cardiovasculares em pessoas que já tiveram infarto ou derrame ou que correm maior risco de sofrê-los por causa de hipertensão e colesterol alto.
Da primeira fase do projeto, que avaliou a efetividade da dieta, participaram 120 pessoas cardíacas do Rio de Janeiro e de seis cidades de São Paulo (incluindo a capital), durante oito semanas.
Metade recebeu as orientações de praxe que são dadas após um evento cardiovascular, como diminuir a quantidade de gorduras saturadas (presentes na carne vermelha, por exemplo).
A outra metade seguiu o material educativo e o cardápio do projeto, os quais classificam os alimentos com as cores da bandeira nacional: verde, amarelo e azul.
A escolha não é à toa: os participantes foram instruídos a montar os pratos de acordo com a predominância dessas cores na bandeira.
Ou seja, a dieta recomenda ter maior quantidade de alimentos verdes (ricos em vitaminas, minerais e fibras), menor proporção de alimentos amarelos (com quantidade considerável de gordura saturada) e uma quantidade menor ainda de alimentos azuis, que contêm mais gordura, sal e açúcar.
"Usamos um aspecto lúdico e critérios factíveis para facilitar a adesão à dieta.  Independentemente do grau de instrução, a pessoa vai identificar o que é bom e qual a quantidade indicada", diz Bernardete Weber, coordenadora da pesquisa do HCor.
Ela afirma que, se os alimentos recomendados forem muito diferentes do que a pessoa come normalmente, é difícil aderir às mudanças.

Resultados:
Segundo ela, os níveis de colesterol dos participantes que seguiram a dieta cardio protetora diminuíram.
Weber cita outro resultado positivo: os pacientes também perderam peso, já que as dietas e as quantidades das calorias diárias foram adequadas para pacientes com sobrepeso ou obesidade.
A segunda fase do estudo é mais ambiciosa: vai envolver cerca de 2.000 pessoas em todo o país, e, mais importante, vai elaborar diferentes dietas respeitando as variações regionais de cada Estado.
Segundo Weber, isso pode incluir castanhas do Norte, suco de uva do Sul e feijão-verde no Nordeste.
Os participantes não serão apenas cardiopatas, mas também pessoas com risco maior de ter um problema cardíaco.


Alimentos Verdes: Ricos em vitaminas e fibras devem ser consumidos em maior quantidade



Amarelos: com gordura saturada, sal e açúcar; sua quantidade deve ser moderada


Azuis: com muita gordura, sal e açúcar, devem ser consumidos em pouca quantidade


Para a dieta mediterrânea abrasileirada temos uma sugestão de cardápio diário:*

Café da manhã/lanche
1 xícara de chá de leite desnatado ou 1 unidade de tapioca sem recheio ou 1 unidade média de maçã, banana ou laranja.
1 pão francês integral/1/2 pão francês ou 2 fatias de pão de forma integral/1 fatia de pão de forma branco ou 2 colheres de sopa de mingau de aveia sem açúcar.
1 colher de chá de açúcar ou 2 colheres de chá de achocolatado ou capuccino em pó ou 2 colheres de geleia caseira de frutas ou mel.

Almoço e Jantar
4 colheres de sopa de vegetais cozidos ou 4 colheres de sopa de vegetais crus.
4 colheres de sopa de arroz ou batata ou mandioca ou macarrão ou massa de milho (polenta) ou 4 colheres de sopa de feijão ou ervilha ou soja ou grão de bico.
1 bife de carne vermelha pequeno ou 1 filé de peixe médio ou atum e sardinha enlatada imersos em água, não óleo.

Alimentos não recomendados:
> Sorvete (massa ou picolé) 
> Chocolate ao leite ou recheado
> Balas, doces e bolos industrializados
> Salgadinhos de pacote
> Biscoito recheado
> Refrigerante e suco industrializado com açúcar
> Molhos industrializados (ketchup, mostarda, maionese)
> Carnes processadas (nuggets, salsicha, hambúrger, sticks de peixe)
> Sopa industrializada
> Alimentos embutidos ou industrializados

*Exemplo de alimentos da dieta elaborada pelo HCor

Matéria retirada da "FOLHA DE SÃO PAULO" Caderno Saúde do dia 2 de julho de 2012

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O Equilíbrio na Mesa






O objetivo do nosso organismo é digerir o alimento e usá-lo para manter seu corpo vivo.  Vamos aqui observar os componentes básicos que fazem parte da nossa alimentação e qual a função de cada um,  e porque são tão importantes para nosso corpo.

1- Carboidratos: Os carboidratos fornecem o combustível básico para o corpo.  Podem ser simples e complexos.  O carboidrato mais simples é a glicose. Fluem na corrente sanguínea para estar disponível a cada célula do nosso corpo. Especificamente, um conjunto de reações químicas na glicose cria a ATP (adenosina trifosfato), e uma ligação de fosfato nas energias de ATP cria a maioria da maquinaria em célula humana.  A glicose é um açúcar simples, por isso tem um gosto doce para a nossa língua.  Há outros açúcares simples dos quais fazemos uso diariamente, como a frutose (principal açúcar das frutas), lactose (açúcar encontrado no leite), maltose (o açúcar encontrado no malte), a sacarose ("açúcar branco" ou açúcar de mesa"), a galactose (obtido pela hidrólise da lactose).
A glicose, a frutose e a galactose são monossacarídeos e são os únicos carboidratos que podem ser absorvidos pela corrente sanguínea através da parte interna do intestino.  A lactose, a sacarose e a maltose são dissacarídeos e são facilmente convertidos em suas bases monossacarídeas pelas enzimas no trato digestivo (Os monossacarídeos (açúcares simples ou oses) são os glicídios mais simples, que não podem ser quebrados pela digestão. Ex: glicose, frutose e galactose. Os dissacarídeos resultam da união de dois monossacarídeos. Ex: lactose do leite formada por uma molécula de glicose e uma de galactose; e a sacarose (açúcar comum), encontrada na cana-de-açúcar e na beterraba, formada por uma molécula de glicose e uma de frutose).  
Os monossacarídeos e dissacarídeos são chamados de carboidratos simples.  São açúcares, têm sabor doce, são digeridos e entram na corrente sanguínea de forma muito rápida.
Também existem carboidratos complexos, normalmente conhecidos como "amidos".  Amidos são a maneira que as plantas usam para armazenar energia - elas produzem glicose e formam cadeias com estas moléculas para formá-los.  A maioria dos grãos (trigo, milho, aveia, arroz) e alimentos como batatas e bananas são ricos em carboidratos complexos.  
O nosso sistema digestivo quebra um carboidrato complexo em moléculas de glicose para que esta glicose possa entrar na corrente sanguínea.  No entanto, leva muito mais tempo para quebrar o amido.  Um carboidrato complexo integral é digerido muito mais vagarosamente, o que faz com que a glicose entre na corrente sanguínea a uma taxa de apenas duas calorias por minuto, ao passo que, uma lata de refrigerante (que contém muito açúcar) entrará na corrente sanguínea em uma taxa de 30 calorias por minuto.
Os açúcares simples requerem pouca digestão, elevando rapidamente o nível de açúcar no sangue.  Em resposta, o pâncreas produz uma grande quantidade de insulina para evitar que os níveis de glicose no sangue se elevem muito.  Esta grande resposta de insulina, por sua vez, tende a fazer o nível de açúcar cair depois de 3 a 5 horas.  Esta tendência de queda do nível de glicose no sangue pode, então, levar ao surgimento da adrenalina, que por sua vez pode causar nervosismo ou irritabilidade.  O mesmo "efeito montanha russa" de níveis de glicose e hormônios não ocorre depois de comer carboidratos complexos integrais ou após ter uma refeição balanceada, porque os processos de digestão e absorção são muito lentos. 
Pensando bem, isto é muito interessante porque mostra que os alimentos que consumimos podem afetar o humor e o temperamento.  Os alimentos afetam os níveis de hormônios em sua circulação sanguínea por muito tempo.
As funções da insulina são:
> possibilitar que a glicose seja transportada pelas membranas das células;
> converter a glicose em glicogênio para ser armazenada no fígado e músculos;
> ajudar o excesso de glicose a ser convertido em gordura;
> evitar a quebra de proteína pra não faltar energia.
A glicose, portanto é fonte essencial de energia para o nosso corpo, que possui muitos mecanismos diferentes para assegurar que o nível correto de glicose esteja adequado na corrente sanguínea, fornecendo energia que as células precisam para sobreviver.

2- Proteínas: Uma proteína é qualquer cadeia de aminoácidos.  Um aminoácido é uma pequena molécula que atua como um bloco construtor de qualquer célula.  Em relação ao nosso organismo há dois tipos diferentes de aminoácidos: essencial e não-essencial.  Os não-essenciais são aqueles que nosso corpo pode criar a partir de outros produtos químicos encontrados em nosso organismo.  Já os essenciais não podem ser criados, e além do mais, a única forma de obtê-los é através da alimentação.
A origem da proteína de nossa dieta é tanto de fontes animais quanto vegetais.  A maioria das fontes animais (carne, leite, ovos) fornece o que chamamos de "proteína completa", o que significa que contém todos os aminoácidos essenciais.  As fontes vegetais  geralmente são pobres em proteínas, mas combinadas a diferentes alimentos tornam-se magníficas fontes proteicas.  Alimentos como nozes, feijão e soja são ricos em proteínas.
O sistema digestivo quebra todas as proteínas dos aminoácidos para que eles possam entrar na corrente sanguínea. As células usam os aminoácidos como blocos construtores.


3- Gorduras: Todos nós conhecemos as gorduras comuns que os alimentos contêm.  A carne possui gordura animal, os pães e massas, óleos vegetais, manteiga ou banha.  Alimentos fritos são feitos em óleo quente.  Enfim, existem dois tipos de gorduras: as saturadas e as insaturadas.  As gorduras saturadas são normalmente sólidas em temperatura ambiente, enquanto que as insaturadas são líquidas.
Os óleos vegetais são os melhores exemplos de gorduras insaturadas, enquanto que banhas e manteigas (assim como a gordura animal que vemos em carne crua) são gorduras saturadas. As gorduras insaturadas são, atualmente, consideradas mais saudáveis que as saturadas.
As gorduras que consumimos entram no sistema digestivo e encontram com uma enzima chamada lipase.  A lipase quebra a gordura em partes: glicerol e ácidos graxos.  Esses componentes são reagrupados no triglicérides para serem transportados pela corrente sanguínea.  As células musculares e as células adiposas absorvem os triglicérides para armazená-los ou queimá-los, como se fossem combustíveis.
Precisamos consumir gordura por algumas razões, veja:
> certas vitaminas são solúveis em gordura; a única forma de obtê-las é ingerindo gordura;
> do mesmo modo que há os aminoácidos essenciais, há os ácidos graxos essenciais (por exemplo, o ácido linoleico, usado para produzir as membranas das células); o nosso organismo não produz sozinho, só poderá ser obtido através da alimentação;
> a gordura se torna uma boa fonte de energia; ela contém duas vezes mais calorias por grama do que os carboidratos ou as proteínas; o organismo pode queimar gordura como combustível, quando necessário.

4- Vitaminas: O nosso corpo necessita de 13 vitaminas diferentes:
> Vitamina A (solúvel em gordura, retinol) presente em alimentos que contêm beta-caroteno.
cenoura, espinafre, batata doce, abóbora, entre outros.
> Vitamina B (solúvel em água, várias vitaminas específicas no complexo)
- B1(tiamina), B2 (riboflavina), B3 (niacina), B6 (piridoxina), B12 (cianocobalamina), ácido fólico.
> Vitamina C (solúvel em água, ácido ascórbico)
> Vitamina D (solúvel em gordura, calciferol)
> Vitamina E (solúvel em gordura, tocoferol)
> Vitamina K (solúvel em gordura, menaquinona)
> Ácido pantotênico solúvel em água)
> Biotina (solúvel em água)
Na maioria dos casos, a falta de alguma dessas vitaminas causa graves doenças.  Uma dieta de alimentos frescos e naturais, geralmente, fornecem todas as vitaminas que o nosso organismo necessita.

5- Minerais: Os minerais são elementos que nosso organismo devem ter para criar moléculas específicas necessárias ao bom funcionamento do nosso corpo.
São eles: cálcio, cloro, cromo, cobre, flúor, iodo, ferro, magnésio, manganês, fósforo, potássio, selênio, sódio, zinco.  Além desses, precisamos de outros minerais também, mas são fornecidos pelas moléculas que os usam.  por exemplo, o enxofre é encontrado no aminoácido metionina e o cobalto é parte da vitamina B12.
Uma boa alimentação variada fornece todos os minerais.

6- Água: Por estarmos perdendo água constantemente através da urina, na respiração e pela transpiração, necessitamos recuperá-la. Afinal, como vimos, muitas vitaminas são solúveis em água.  A outra razão é que nossa pele está em constante renovação celular.  Se estivermos trabalhando e suando muito, a perda então, é bem maior.
Devemos tomar, pelo menos, 1134 mL por dia na forma de alimentos úmidos e líquidos.  No calor ou quando estamos exercitando, nosso corpo precisa duas vezes mais que essa quantidade.  Muitos alimentos contêm uma surpreendente quantidade de água, especialmente as frutas.  Água pura e bebidas fornecem o restante.

7- Fibras: São substâncias componentes dos tecidos vegetais que não constituem fonte de energia, porque não podem ser hidrolizadas por enzimas do intestino humano.
As fibras alimentares desempenham importantes papéis na proteção da saúde humana.  Além de proporcionarem aumento do volume fecal e controle sobre o trânsito intestinal, seu consumo adequado vem sendo associado à prevenção e também no tratamento de várias patologias, tais como obesidade, diabetes, dislipidemia, obstipação intestinal, diverticulite e outras. 
Assim, como diferentes vitaminas exercem funções específicas em nosso organismo, os vários componentes das fibras alimentares produzem diferentes respostas fisiológicas que estão relacionadas às propriedades físico-químicas destes integrantes:
a) Celulose: está presente nas frutas (polpa e casca), nas hortaliças (hastes e folhas), nos legumes e cereais.
b) Hemicelulose: é utilizada como laxante e na produção de alimentos de baixas calorias, em virtude de sua capacidade de produzir volumes e sensação de saciedade.
c)  Lignina: encontrados nas porção lenhosa dos vegetais.
d) Pectina: encontrada em todos os frutos, absorve água em forma de gel; é amplamente utilizada na indústria de alimentos.
e) Gomas e mucilagens: semelhantes à pectina são encontradas nas secreções de vegetais ou sementes.

Mistério: por que algumas pessoas queimam calorias e outras não?
Todo mundo conhece; pessoas invejáveis que não sabem renunciar às sobremesas ricas em calorias porque, apesar de tais excessos, não ganham nenhum grama de peso...E provavelmente nós pertencemos ao outro grupo: ao das pessoas dignas de compaixão, que precisam redobrar seus cuidados, inclusive controlando a quantidade do que comem, porque do contrário pagam um alto preço vendo como dispara o fiel da balança.  De acordo com a voz popular, os primeiros sabem queimar calorias; os demais, não.  Dizendo isso de outra maneira, tais diferenças têm muito a ver com o metabolismo corporal.
Atualmente, conhecemos duas formas de metabolismo energético. Em primeiro lugar, o metabolismo basal, também denominado metabolismo de manutenção ou de repouso, responsável pela produção da energia do corpo, em estado de repouso e numa temperatura corporal de 37º, necessária para a manutenção das funções orgânicas.  Através da alimentação deve-se consumir em média 1.400 - 1.800 kcal como combustível.  No entanto, o metabolismo basal é diferente para cada indivíduo, em função da idade, do sexo, do peso e de outros fatores pessoais e genéticos.
Além dessa energia básica, o organismo necessita de energia adicional para várias atividades que realiza.  Em se tratando de uma atividade ligeira como, por exemplo, o trabalho de escritório, o denominado metabolismo laboral exige por dia uma média de 2.300 - 2.500 kcal.  Em contrapartida, em situações que requerem grandes esforços, com especial desgaste muscular, a cifra pode chegar a duplicar e atingir as 3.500 - 4.000 kcal.  E, sem esquecer que consumimos energia com a digestão ou a regulagem da temperatura corporal (principalmente em dias frios), e também com emoções (estresse, raiva, preocupações, etc.).
Poderíamos então afirmar que, no caso ideal de um nível de energia equilibrado (quer dizer, quando a ingestão e o consumo de energia são mais ou menos equivalentes), o peso corporal se mantêm basicamente constante.  Mas é aqui que entram em jogo as particularidades pessoais.
De fato, se é registrado um superávit no balanço energético, quer dizer, um excesso de energia ingerido, esse é armazenado pelas células do tecido adiposo em forma de "reserva de gordura" para que, em caso de necessidade, o corpo possa recorrer a si próprio para alimentar.  Mas, a curto prazo, uma excessiva reserva de gordura conduz a um aumento de peso, se bem que pesquisas recentes demonstram que um excesso de alimentação constante, em diferentes pessoas, podem ter efeitos muito diversos.
Quando os queimadores de calorias não comem com moderação, seu corpo incrementa a produção de calor e queima em pouco tempo até um terço da energia excedente.  Porém, para os que não queimam calorias, o excesso de alimentos produz outros efeitos: armazenam mais gorduras e aumentam facilmente seu peso.  Outra série de fatores físicos também influi nas oscilações do metabolismo basal.  Este aumenta, por exemplo, em caso de febre, gravidez e de determinas doenças, e, de modo contrário, o estresse produzido pelas mudanças hormonais pode fazê-lo baixar.
Sendo assim, preconiza os estudos em nutrição e dietética que as pessoas devem fazer várias refeições (pelo menos 5x) durante o dia.  Deverá estabelecer critérios, como por exemplo: ingerir pouco volume de alimento cada 3 ou 4 horas durante o período que estiver fazendo qualquer atividade, evitar volumes  exagerados nas principais refeições do dia, como no almoço e jantar. Nos intervalos das principais refeições, frutas ou sucos, gelatinas ou cereais (barras), procurar sempre incrementar as refeições com fibras, o que traria o benefício da saciedade. E, estar atento ao sinais do seu corpo, reforçando as necessidades de nutrientes ao seu organismo, visando seu bem estar e equilíbrio.


Fontes: Curso de Técnico em Nutrição e Dietética - SENAC - SP
           O Maravilhoso Corpo Humano - Seleções do Reader's Digest 
           Como funciona a alimentação - por Marshall Brain - traduzido por HowStuffWorks Brasil












terça-feira, 10 de julho de 2012

TPM (Tensão Pré-Menstrual): Um problema que aflige milhões de mulheres


TPM

http://www.sabetudo.net/causas-da-tpm.html - ilustração

Apesar do humor da ilustração, levemos a sério esse assunto, motivo de muitas decepções, aborrecimentos, ou falta de esclarecimento presente em todas as relações, pessoais, sociais, de trabalho e conjugais.
Boa parte das mulheres vive um período de grande desconforto e irritação nos dias que antecedem à menstruação.  Se não há como evitar esse período, há uma série de atitudes, a começar pela alimentação, capazes de reduzir e aliviar esses desconfortos. 
Quantas vezes você, mulher, teve a sensação de estar no limite da paciência, podendo "explodir" a qualquer momento por um motivo qualquer.  Quantas vezes você teve a sensação de que toda a energia de seu corpo estivesse se esgotando, dando lugar ao cansaço, à sonolência e à dificuldade de concentração.  Esses e outros sintomas como dores de cabeça, dores na mama, "nas juntas", ganho de peso, a sensação de estar inchada e alterações no apetite são típicas de um problema que aflige milhões de mulheres em todo o mundo nos dias que antecedem a menstruação.  Trata-se da conhecida Tensão Pré-Menstrual, a TPM, que melhora sensivelmente ou desaparece tão logo se inicia a menstruação.
A observação de que as mulheres experimentavam maior incidência de cefaleia (dor de cabeça), queixas somáticas (dores no corpo) e aumento da tensão no período pré-menstrual remonta aos tempos de Hipócrates e da escola da Grécia antiga.  Modernamente, as primeiras descrições do problema apareceram em 1931, época em que se observou que mulheres, na última fase do ciclo menstrual, experimentavam tensão emocional e desconforto físico.
Estudos recentes mostram que 80% das mulheres apresentam algum tipo de alteração no período pré-menstrual e, em 52% delas, os sintomas interferem drasticamente no humor, no comportamento e no organismo. Portanto, é um mal que atinge grande parte da população feminina.
Dados mostram, também, que cerca de 5 a 10% das vítimas enfrentam quadros severos de dores de cabeça e depressão que as obrigam a se afastar do trabalho e do convívio social, podendo, inclusive, acarretar problemas emocionais também no relacionamento conjugal.  Nos casos mais sérios, a doença pode até mesmo levá-las a cometer suicídio.

Quais as principais causas da TPM
Muitos estudos vêm relacionando as principais causas da TPM ao próprio metabolismo de cada mulher aliado às mudanças hormonais a que cada uma está sujeita nessa fase.  As alterações hormonais provocam uma retenção maior de líquidos pelo corpo levando à sensação de inchaço.  Esse edema está presente em todos os órgãos femininos neste período, afetando em muito a função cerebral, devido ao acúmulo de líquidos no tecido neural.  Esse fato provoca alteração do estado emocional tornando a mulher irritadiça, mal-humorada, inquieta e ansiosa.  Todo esse quadro é geralmente percebido pelas pessoas que a cercam.
Esse edema é responsável também pelas dores nas mamas, dores musculares e abdominais, inchaço das mãos e dos pés e alterações no apetite, como um consumo maior de carboidratos, por exemplo. Muitas mulheres nessa fase sentem uma vontade irresistível de comer chocolates e guloseimas, o que só piora o quadro geral, levando a um aumento de peso e dos líquidos corpóreos.

Critérios para diagnosticar a TPM
Apesar de 80% da população geral feminina apresentar sintomas pré-menstruais, apenas 8% costumam satisfazer os critérios de diagnóstico para a Síndrome Pré-Menstrual, conforme a listagem abaixo.
A mulher deve apresentar por 2 ou 3 ciclos menstruais seguidos, 5 ou mais sintomas da lista abaixo na última semana do ciclo, devendo tais sintomas estarem ausentes na pós-menstruação:
1.   Marcante humor depressivo, sentimento de desesperança ou autodepreciativos.
2.   Marcante ansiedade e tensão.
3.   Marcante carência afetiva.
4.   Irritabilidade e/ou agressividade marcantes ou dificuldades de relacionamento pessoal.
5.   Diminuição do interesse por atividades usuais.
6.   Dificuldades de pensamento, memória e concentração.
7.   Cansaço, fadiga e perda de energia.
8.   Alterações do apetite e/ou da aceitação de determinados alimentos.
9.   Alterações do sono (insônia ou hipersonia).
10. Sensação subjetiva de opressão ou de perda de controle.
11. Outros sintomas físicos, tais como turgência nos seios, dor de cabeça, dor muscular, inchaço, ganho de peso.
12. O distúrbio deve interferir marcantemente com a ocupação, atividades sociais e de relacionamento.

O papel da alimentação
Algumas causas ambientais e práticas de vida podem estar relacionadas à TPM.  Entre elas ressalta-se o papel da dieta alimentar.  Alguns alimentos parecem ter importante implicação no desenvolvimento dos sintomas da TPM, como é o caso do chocolate, da cafeína e do álcool.  As deficiências de vitamina B6, presentes em alimentos como fígado, nozes, carnes e cereais integrais, e de magnésio, encontrado nas hortaliças de folhas verdes e na soja, também estão sendo consideradas.  Porém, até o momento, o papel desses nutrientes na causa ou no tratamento não têm sido confirmado.
Não há tratamentos oficialmente reconhecidos, o que existem são formas de controle dos sintomas que, em alguns casos, podem ser bastante eficazes, como mudanças na dieta e no estilo de vida, por exemplo.
Vale a pena seguir algumas dessas sugestões: procure aumentar a ingestão de fibras (encontradas em cereais integrais, nas frutas e nas hortaliças), reduza o consumo de gorduras saturadas (gorduras animais) e de carboidratos simples (açúcar e mel principalmente).  Diminua o consumo de sal e de bebidas como café, chá e refrigerantes à base de cola, pois eles contêm substâncias chamadas metilxantinas (cafeína, teobromina e teofilina), que são comprovadamente excitantes.  Não abuse de bebidas alcoólicas, pratique exercícios e reflita acerca do que pode estar ocasionando situação de estresse.
Estudos mostram que o consumo de alimentos ricos em cálcio (leite e derivados) também pode ajudar a reduzir os desconfortos desta fase.  Uma pesquisa conduzida no Centro Ósseo Metabólico do St. Luke's - Roosevelt Hospital, nos Estados Unidos, avaliou a capacidade do cálcio em aliviar os desconfortos mensais de 466 mulheres com TPM.  As integrantes do grupo que usavam suplementação de cálcio apresentavam uma redução de 54% nas dores e no desconforto, enquanto o grupo controle (sem suplementação) apresentou um aumento de 15%.
Portanto, leite e derivados, verduras, legumes, cereais e leguminosas, especialmente os integrais, fornecem grande parte dos elementos nutricionais que propiciam o adequado equilíbrio entre hormônios femininos, reduzindo os sintomas desconfortáveis da TPM.  Nos casos mais graves, procure acompanhamento médico.

Seguem algumas dicas que ajudam a aliviar os sintomas da TPM:
> Reduzir a ingestão de cafeína e de álcool.  A cafeína contida no café, nos chocolates, em muitos refrigerantes, energéticos,  e em alguns medicamentos, aumenta a ansiedade e a instabilidade emocional.  O álcool pode provocar dores de cabeça, fadiga e depressão;
> Diminuir o sal nos alimentos e evitar o quanto possível alimentos processados e/ou industrializados.  Isso reduz o inchaço causado pela retenção de líquidos no corpo;
> Comer alimentos ricos em cálcio.  Isso vai ajudar a evitar o inchaço e a variação de humor;
> Fazer exercícios aeróbicos.  O exercício ajuda a reduzir cólicas menstruais e melhora o humor.  Ajuda na circulação sanguínea, além disso, liberam-se endorfinas, substâncias produzidas no nosso organismo, que são responsáveis pela sensação de bem estar.  O ideal é praticar exercícios moderados, como caminhar, andar de bicicleta ou nadar;
> Adicionar carboidratos complexos à sua dieta, tais como cereais integrais.  Reduz a fadiga e as variações de humor;
> Tomar uma multi-vitamina.  Embora a teoria de que a TPM é causada pela ausência de vitaminas como A, B6, C e D não seja muito aceita, algumas mulheres sentem-se melhores com o uso de multi-vitaminas;
> Acupuntura.  Tem apresentado muitos benefícios, principalmente na redução do estresse e das cólicas menstruais;
> Ioga, meditação. Ajudam na redução do estresse, diminuindo ansiedade e depressão.
> Evite o fumo.



Fonte: Alimentos Inteligentes { Dra. Jocelem Mastrodi Salgado - Pesquisadora e Profª Titular em Nutrição -  Esalq - USP}


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Comida que Emagrece


Dieta que é sucesso nos EUA propõe perda de peso com cardápio sem limite de quantidade nem de calorias; segredo é somar nutrientes e abusar de saladas, grãos e frutas.
O médico norte-americano Joel Fuhrman está fazendo um enorme sucesso com uma promessa tão manjada quanto o alto valor calórico de um cheeseburguer (300 calorias): emagreça comendo.
Mas calma.  Nem ele está propondo um vale-tudo nem os seus seguidores são tão ingênuos a ponto de deixar o livro com seu programa de emagrecimento há 48 semanas na lista dos mais vendidos dos Estados Unidos.
Em "Eat to Live" (ed. Little Brown, sem edição no Brasil), Fuhrman argumenta que a pessoa pode emagrecer se comer o quanto quiser - mas não o que quiser.  Esqueça o cheeseburger.
Ele propõe, em seu livro, uma mudança de foco na vida de quem faz regime: em vez de se preocupar com calorias, pensar na qualidade da comida.  Em vez de temer carboidratos, fugir dos alimentos refinados e industrializados.  E nunca viajar na proteína animal.
A base de sua dieta é o que ele chama de densidade de nutrientes.  Alimentos com uma alta concentração de vitaminas, sais minerais, fibras e substâncias antioxidantes fazem, segundo ele, a pessoa emagrecer sem passar fome.
Colocando em pratos limpos: coma salada, salada e mais salada, um bom punhado de leguminosas (feijões e lentilha), muita fruta fresca, apenas cereais integrais e...bom, praticamente só isso.

Nutrigenômica

Pode parecer que não há nada de novo em falar que a pessoa emagrece comendo (quase) só salada, mas Fuhrman montou sua dieta baseada na área mais nova da nutrição, a nutrigenômica.
"Estudos recentes mostram que os fitoquímicos (substâncias presentes em vegetais) atuam no DNA das células e estimulam a queima de gordura", diz a nutricionista Flavia Cyper.
O médico americano também contrapõe sua dieta ao estilo de alimentação moderno, caracterizado pelo consumo excessivo de alimentos industrializados.  E não poupa nem os produtos "light".
Segundo ele, além de os processos industriais como refinamento e pasteurização diminuirem o teor de nutrientes dos alimentos, os corantes, conservantes e espessantes usados jogam contra o processo de emagrecimento.
"Esses produtos químicos fazem o organismo produzir mais substâncias inflamatórias, que criam depósitos de gordura no corpo.  E também aumentam a sensação de fome - é o que eu chamo de "fome tóxica", disse Fuhrman à Folha.
O nutrólogo Hélio Osmo, consultor da Abiad (associação que reúne produtores de alimentos diet e light), concorda que o consumo indiscriminado desses produtos deve ser revisto: "Eles contêm vários aditivos químicos e ainda não sabemos até que ponto podem afetar a saúde".
"Não existem estudos independentes comprovando que comida rica em micronutrientes tira a fome",  afirma o endocrinologista Alfredo Halpern, da USP.
A pesquisa usada por Fuhrman para comprovar sua teoria de fome tóxica foi feita pela internet, com cerca de 700 usuários de seu site (www.drfuhrman.com).
Para Halpern, o lado bom do programa de Fuhrman é a proposta de uma alimentação saudável.  "Se a pessoa passar a comer melhor, ótimo.  Consumir mais orgânicos e alimentos frescos também é bom, têm muitos 'químicos' por aí.  Mas não há garantia de que ela vá emagrecer, muito menos ter uma grande perda de peso em pouco tempo", diz ele.

Leite e Carne

Outro ponto polêmico da dieta é a restrição ao consumo de leite e derivados e de carnes.  Quem quiser seguir o seu programa de seis semanas - que, afirma o médico, leva à perda de cerca de dez quilos - tem que cortar totalmente esses alimentos.
"A pessoa não pode e não deve eliminar a carne se quiser ter uma alimentação equilibrada, porque ela fornece proteínas mais completas do que as encontradas nos vegetais", afirma o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).
O leite também não pode ser simplesmente trocado por verduras para suprir as necessidades de cálcio, segundo Ribas Filho.
"Claro que há vegetais ricos em cálcio, mas a biodisponibilidade [taxa de absorção pelo corpo] do mineral é muito menor do que a do leite.  Para obter a quantidade necessária, você precisaria comer 500 gramas de  verdura por dia".
Pois é justamente isso que Fuhrman propõe.

Segue tabela de escore nutricional.  A densidade de nutrientes dos alimentos segundo uma escala de 100 (altamente nutritivos) a zero (calorias vazias) criada pelo médico Joel Fuhrman e as quantidades recomendadas em sua dieta.


100 - Vegetais Folhosos  Acelga, Agrião, Couve, Espinafre, Mostarda, Rúcula                                 
 97- Hortaliças Verdes: Ervilha, Repolho, Vagem, Alface Romana, Aspargo, Brócolis, Couve  
PODEM SER CONSUMIDOS ILIMITADAMENTE (os dois ítens acima); a meta é comer 500g/dia                                                     
                      
50 - Hortaliças Coloridas: Alcachofra, Beterraba, Berinjela, Broto de Feijão, Cebola, Cenoura, Cogumelos, Couve-flor, Pimentão, Radicchio, Raiz-forte, Tomate
CONSUMO de 1 e meia a 2 xícaras por dia
                 
48- Grãos/Leguminosas: Grão-de-bico, Feijão-azuki, Feijão-fradinho, Lentilha, Feijão-preto
CONSUMO de 1 xícara/dia
45 - Frutas: Abacaxi, Ameixa, Banana, Cereja, Framboesa, Kiwi, Laranja, Maçã, Melão, Mirtilo, Morango, Pêssego, Pera e Uva
QUATRO porções por dia
                              

35- Vegetais Ricos em Amido: Abóbora, Batata-doce, Milho e Nabo
NO MÁXIMO 1 xícara por dia


22-  Cereais Integrais e Batata: Arroz integral, Arroz selvagem, Aveia, Batata-inglesa, Cevada, Macarrão integral, Pão, Quinoa
CONSUMIR 1 xícara por dia, substituindo vegetais com amido
                                                     

20- Nozes e Sementes: Amêndoa, Avelã, Castanha de caju, Gergelim, Linhaça, Noz-pecã, Pistache, Semente de abóbora, Semente de Girassol.
CONSUMIR 1 colher (sopa) de linhaça + 30g de nozes por dia

15- Peixes: Linguado, Pescada branca, Sardinha, Tilápia
NO MÁXIMO 2 vezes por semana


13- Laticínios Magros: Leite desnatado, Ricota, Queijo branco light - PROIBIDO nas 6 semanas iniciais
11- Proteína Animal: Aves, Ovo - 1 ovo por semana; aves PROIBIDAS nas 6 semanas iniciais.
  9- Carne Vermelha: Bovina, Suína - PROIBIDOS nas 6 semanas iniciais
  8- Laticínios Integrais: Leite e Iogurte sem redução de gordura - PROIBIDO.
  3- Queijos Amarelos: Mussarela, Emmenthal, Queijo Prato - PROIBIDO
  2- Cereais Refinados: Arroz branco e Farinha de trigo refinada - PROIBIDO
  1- Óleos Refinados: Girassol, Milho, Soja - PROIBIDO
  0- Doces: Açúcar branco e doces com farinha e açúcar refinados - PROIBIDO

'Comida industrializada é vício, traz sintomas de abstinência'

O clínico geral Joel Fuhrman é o novo "superstar" do emagrecimento no país que é símbolo da epidemia da obesidade.  Além de manter um livro há mais de um ano na lista de mais vendidos do jornal "New York Times", tem um site para orientação a pacientes e venda de produtos dietéticos e uma clínica em Nova Jersey (EUA).
Ele afirma que o sucesso da sua dieta está mais ligado à prevenção de doenças do que à perda de peso em si - embora não deixe de ressaltar a eficácia do método para eliminar muitos quilos em pouco tempo sem passar fome.
Em entrevista à Folha, ele explica como isso é possível.

Folha - O sr. afirma que a pessoa pode comer o quanto quiser e perder peso.  como isso acontece?
Joel Fuhrman - Com o tipo de alimentação que proponho, as necessidades de micronutrientes do corpo são atendidas, então, a pessoa naturalmente vai querer comer só o que realmente precisa.  É uma dieta que muda a percepção da fome.
Comida industrializada não é saudável.  É um vício que resulta em sintomas de abstinência quando você fica um tempo sem comê-la.  É o que chamo de fome tóxica.

Sua dieta é baseada em evidências científicas?
Tenho milhares de clientes que perderam quase 50 quilos e não engordaram novamente.  Minha pesquisa sobre fome tóxica, feita com mais de 700 usuários do meu site, foi publicada no periódico "Nutrition".
E meus clientes não só emagrecem, como também resolvem problemas de pressão alta, diabetes, enxaqueca e reduzem o risco de ter câncer.

Sua dieta promete a perda de dez quilos em seis semanas.  Não é muito rápido?
Não há problema em perder peso rapidamente se isso acontece com o consumo adequado de micronutrientes.  Na verdade, para algumas pessoas é mais arriscado demorar para emagrecer.
Claro, se após as seis semanas a pessoa resolve voltar à alimentação convencional, vai engordar de novo.  Mas as informações em meu livro aumentam os conhecimentos de nutrição do leitor, a maioria entende por que deve se alimentar de forma saudável.

O que distingue sua dieta de outras, como a mediterrânea?
O conceito de densidade de nutrientes é um diferencial.  Minha dieta não foi criada para ser um best-seller, mas para ser a forma mais eficaz de evitar doenças e aumentar a longevidade.
Além disso, não tem o foco na restrição calórica - mesmo assim, a compulsão para comer demais acaba quando a pessoa consome alimentos ricos em fitoquímicos.  Por isso, a sensação de insatisfação, comum em outras dietas, desaparece. 

Mas não é difícil seguir uma dieta que restringe vários grupos de alimentos?
Sinceramente, acho que as pessoas têm o direito de comer o que quiserem.  Se querem uma alimentação que causa doenças, vão achar meu programa muito restritivo.  O estilo de alimentação saudável não é muito popular, mas, quando as pessoas recebem informações certas, percebem seus benefícios e passam a gostar mais desse tipo de comida, por se sentirem melhores, mais leves.
É mais gostoso comer pratos, que além de tudo, são intelectualmente apetitosos porque você sabe que irão contribuir para a sua saúde a longo prazo.

EAT TO LIVE
Joel Fuhrman 
Editora Brown, Little book group
R$ 16,46 na Amazon (www.amazon.com)

Matéria retirada da "Folha de São Paulo" - caderno Equilíbrio do dia 26 de junho de 2012


A ideia do Dr. Joel com relação ao planejamento alimentar é muitíssimo interessante.  O mais interessante é cada pessoa avaliar suas necessidades diárias e experimentar com muita parcimônia a restrição de alguns alimentos. O que devemos nos ater nessa dieta específica é que, não deixa de ser saudável em muitos aspectos, principalmente porque abandonaremos de vez os industrializados, o que com certeza trará enormes benefícios à nossa saúde. 
É muito provável que ocorra perda de peso com essa dieta, mas restrições alimentares severas são difíceis de serem seguidas por muito tempo e o seu abandono costuma ser precoce, assim como a recuperação do peso. Estudos mostram que 85% das pessoas que abandonaram dietas muito restritivas voltaram ao seu peso em até 2 anos. O peso corporal é resultante da relação entre a ingestão de energia e o gasto energético, ou seja, só é possível emagrecer se o consumo de calorias for menor de que o gasto de energia. A eficiência com que cada organismo converte a energia dos alimentos em reserva de energia está sujeita a variações individuais, o que pode explicar a predisposição ou resistência a ganho ou a perda de peso.
Mas, se literalmente, colocarmos na balança, entre ter uma vida saudável e comer-se apenas por prazer, pois sem dúvida alguma, os industrializados são deliciosos, não teremos dúvidas: A nossa saúde sempre deve ser colocada em primeiríssimo lugar.



* Dra. Maria José Zanella
Conforme dados do Ministério da Saúde (no Guia Alimentar para a População Brasileira, em 2005), até 260 mil mortes anuais poderiam ser evitadas se o brasileiro tivesse uma alimentação equilibrada. Uma dieta equilibrada pode ser obtida mediante uma alimentação variada, em quantidades adequadas e deve proporcionar os nutrientes necessários para atender às necessidades do organismo. Assim, qualquer recomendação nutricional deve respeitar essas necessidades nutricionais individuais e, cabe aos profissionais de saúde, a veiculação de orientações que permitam à população a seleção adequada de alimentos, tanto em quantidade como em qualidade, em qualquer fase da vida, porque estas exercem um papel fundamental na promoção à saúde e no tratamento de doenças.


* DRA. MARIA JOSÉ ZANELLA
Médica Endocrinologista do Serviço de Endocrinologia do Hospital São Lucas da PUCRS.
Professora Assistente de Endocrinologia da FAMED - PUCRS.